Bombeiros trabalham na zona de incêndio florestal nas colinas da comuna de Quilpe, região de Valparaíso — Foto: JAVIER TORRES / AFP

Incêndios florestais no Chile já causaram a morte de ao menos 112 pessoas, informou o Ministério do Interior do país na noite desse domingo (4). Mais cedo, o presidente Gabriel Boric, que já havia decretado estado de emergência devido à situação, disse que o número de mortes continuaria a “crescer significativamente”.

“Estamos diante de uma tragédia de grande magnitude”, afirmou o líder em pronunciamento transmitido pela TV. “É a maior tragédia que tivemos desde o terremoto de 2010”, acrescentou, referindo-se ao terremoto de magnitude 8,8 seguido de um tsunami que, ocorrido em fevereiro daquele ano, deixou mais de 500 mortos.

O fogo assola a região turística de Valparaíso, no centro do país, desde a sexta-feira (2), assim como áreas no sul do território. Nos últimos três anos, o país sul-americano tem passado por catástrofes semelhantes durante o verão. Ao mesmo tempo, os incêndios desta semana já são considerados o fenômeno mais letal a acometer a nação da última década.

Há centenas de desaparecidos, e a cifra de óbitos aumenta enquanto os bombeiros se esforçam para controlar as chamas. Além das perdas humanas, estima-se que entre 3.000 e 6.000 residências tenham sido afetadas.

“Aqui não restou uma única casa”, lamentou a aposentada Lilián Rojas, 67. Ela vivia perto do Jardim Botânico de Viña del Mar, que desapareceu completamente, segundo ela contou à agência de notícias AFP entre os escombros e cinzas do bairro.

Rojas afirmou que as chamas engoliram casas em questão de minutos na sexta. Após ver um foco distante de fumaça, ela foi brevemente para o quarto assistir à televisão e, quando saiu para olhar a rua, as pessoas já estavam correndo, contou ela.

A ajudante de cozinha Rosana Avendaño, 63, estava fora de casa quando o fogo começou a devastar El Olivar, outro bairro de Viña del Mar, onde ela mora com o marido e o animal de estimação. “Foi terrível porque eu não conseguia chegar [em casa]. O fogo veio, perdemos tudo. Meu marido estava deitado e começou a sentir o calor do incêndio que se aproximava e saiu correndo”, relatou.

Ao que tudo indica, as condições climáticas deste domingo dariam trégua aos moradores, “com um cavado costeiro que permite resfriar o incêndio”, segundo disse a ministra do Interior, Carolina Tohá, referindo-se a um fenômeno climático que produz muita nebulosidade, alta umidade e diminuição das temperaturas.

“As condições hoje são mais propícias para as tarefas de apoio às vítimas e de contenção dos incêndios”, prosseguiu ela. No terceiro dia de fogo, o foco de incêndio na vila rural de Las Tablas, o mais importante nos arredores de Valparaíso, continuava ativo, contudo, abrangendo “um perímetro de 80 km”, disse Tohá.

Em toda a região, conhecida por suas praias turísticas e produção vitivinícola, participam da contenção do fogo e do resgate da população 17 brigadas de bombeiros e 1.300 soldados e voluntários civis.

Desde a última quarta-feira (31), as temperaturas se aproximam dos 40°C na zona central do Chile, onde fica a capital, Santiago. O Ministério dos Transportes decidiu na sexta bloquear totalmente o trânsito devido à visibilidade reduzida pela fumaça na Rota 68, que vai de Santiago a Valparaíso.

Segundo relatório da Corporação Nacional Florestal (Conaf), o maior incêndio florestal é na Reserva Lago Peñuelas, próxima à principal rodovia que dá acesso à região. O segundo incêndio mais amplo ocorre em La Aguada, comuna de La Estrella na região de O’Higgins, no centro do país.

Em dezembro de 2022, Valparaíso sofreu com fortes incêndios florestais, que costumam ser intencionais, segundo relatórios oficiais. O fogo também se espalha rapidamente devido a construções em áreas não autorizadas.

A prefeita de Viña del Mar, Macarena Ripamonti, disse ter ficado surpresa com a magnitude dos incêndios deste ano. “Estamos diante de uma catástrofe sem precedentes, uma situação dessa envergadura nunca tinha acontecido na região”, observou.

As rotas para essas praias do Pacífico foram fechadas. As chamas queimam zonas povoadas, onde colapsaram as rotas alternativas de milhares de pessoas que tentavam deixar a área.

Uma onda de calor com temperaturas máximas assola a América do Sul, onde o El Niño é agravado pelo aquecimento global provocado pela atividade humana, segundo especialistas. Os alertas emitidos pelo persistente calor sufocante estão em vigor também nesta semana que se inicia, em áreas da Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil, além do Chile. (AFP) 

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