De olho nas próximas eleições para governador, em 2026, as discussões da dívida de Minas têm sido palco também para as articulações do pleito municipal no próximo ano. Mesmo quem não está à frente das negociações tem tentando conseguir espaço, uma foto ou até mesmo uma agenda com o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD), que tem liderado as tratativas de uma alternativa ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), defendido pelo governador Romeu Zema (Novo).

Na avaliação de interlocutores, se o futuro econômico do Estado pode ser o definidor das próximas eleições no Estado, há quem queira também se articular e estar junto de quem pode ser o solucionador de um dos principais problemas do Estado, já para as eleições municipais em 2024.

Por isso, pensando no próximo pleito, a agenda do senador tem sido disputada neste fim de ano. Diversos prefeitos e deputados têm procurado Pacheco para conversar. O presidente do Senado, por sua vez, estaria fazendo questão de receber entidades sindicais e todos os políticos, independentemente do partido, mesmo em meio a discussões de temas importantes no Congresso, para se colocar justamente como o articulador do assunto, além de ter a oportunidade de atrair aliados e formar uma base para uma eventual candidatura ao governo do Estado em 2026.

Recentemente, diversos políticos têm apresentado alternativas ao RRF, mas, nos bastidores, até mesmo na Assembleia entre a base de Zema, a esperança é que a proposta apresentada por Pacheco vingue e receba o aval do governo federal. A alternativa, na avaliação de interlocutores, é a que menos geraria desgaste político aos deputados. A aproximação do senador com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), inclusive, é a aposta para que a proposta seja a que mais tenha viabilidade política de acontecer.

A interlocução de Pacheco com o presidente Lula, porém, tem gerado ciúmes nos bastidores, principalmente por uma ala do PT em Minas Gerais. Na última semana, Pacheco revelou durante um café com jornalistas que Lula o quer para a disputa pelo comando do governo estadual. Na ocasião, o presidente do Senado saiu pela tangente e disse que a relação de PT e PSD no Estado é natural e destacou que ele tem feito encontros com a bancada petista no Congresso. Na última semana, Pacheco se reuniu com oito dos dez deputados federais mineiros. Somente Patrus Ananias e Padre João não compareceram, mas por motivos de viagens e outros compromissos previamente agendados.

A aproximação entre Pacheco e Lula se tornou mais forte nas últimas semanas em função da proposta paralela para resolver a dívida de Minas que foi apresentada pelo presidente do Congresso ao petista e ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O impasse financeiro hoje chega a R$ 160 bilhões.

A solução proposta por Zema foi a de o Estado aderir ao RRF, mas ficou emperrada na Assembleia em função de contrapartidas caras aos deputados estaduais com suas bases, como o congelamento do reajuste do salário dos servidores estaduais. A alternativa de Pacheco propõe, entre outros pontos, a federalização de empresas estatais como Cemig, Codemig e Copasa, e o uso de créditos que Minas tem a receber em ações judiciais. O plano prevê também a criação de um programa de refinanciamento que permita aos Estados e municípios a renegociação dos débitos com a União.

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