O Ministério da Defesa divulgou uma nota oficial na manhã desta quinta-feira (10) em que reafirma que “embora não tenha apontado, também não excluiu a possibilidade da existência de fraude ou inconsistência nas urnas eletrônicas e no processo eleitoral de 2022” no relatório entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quarta-feira (9).

Na nota, o Ministério da Defesa faz questão de destacar que o documento cobra  esclarecimentos do TSE e aponta possíveis fragilidades do sistema das urnas. Alega, entre outras coisas, que os testes de funcionalidade das urnas (Teste de Integridade e Projeto-Piloto com Biometria), da forma como foram realizados, não foram suficientes para afastar a possibilidade da influência de um eventual código malicioso capaz de alterar o funcionamento do sistema de votação”.

Também diz que “houve restrições ao acesso adequado dos técnicos ao código-fonte e às bibliotecas de software desenvolvidas por terceiros, inviabilizando o completo entendimento da execução do código, que abrange mais de 17 milhões de linhas de programação”.

Por fim, afirma que “em consequência dessas constatações e de outros óbices elencados no relatório, não é possível assegurar que os programas que foram executados nas urnas eletrônicas estão livres de inserções maliciosas que alterem o seu funcionamento”.

Por isso, o Ministério da Defesa pede ao TSE, “com urgência”, “uma investigação técnica sobre o ocorrido na compilação do código-fonte e de uma análise minuciosa dos códigos que efetivamente foram executados nas urnas eletrônicas, criando-se, para esses fins, uma comissão específica de técnicos renomados da sociedade e de técnicos representantes das entidades fiscalizadoras”.

Bolsonaro segue recluso no Alvorada, sem comentar relatório

Já o presidente Jair Bolsonaro (PL) mantém silêncio nas redes sociais e segue recluso no Palácio da Alvorada. Ele não usou nem as redes sociais para comentar o relatório do Ministério da Defesa ou a primeira visita de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Brasília após a eleição de 30 de outubro, que consagrou o petista. 

Como há 11 dias, desde que foi derrotado nas urnas, o chefe do Executivo, que continua no cargo até 31 de dezembro, não tem nenhum compromisso fora da residência oficial nesta quinta. Aliás, sua agenda não prevê sequer uma reunião ou visita. 

Durante toda a campanha eleitoral, Bolsonaro colocou em xeque o sistema eleitoral brasileiro. Insistiu, sem nunca apresentar prova, que havia irregularidades. Chegou a afirmar que só não venceu no primeiro turno em 2018 porque houve fraude. Pediu, mais de uma vez, para as Forças Armadas fazerem parte da organização, fiscalização e apuração das eleições de 2022. Seguindo suas ordens, o ministro da Defesa solicitou inúmeras reuniões ao TSE. Tentou ampliar os poderes para interferir nas atribuições da Corte eleitoral.

Após tudo isso, o mesmo Ministério da Defesa adiou a entrega do relatório de acompanhamento da apuração dos votos no segundo turno. O documento, que só foi entregue ao TSE – após cobrança oficial do ministro Alexandre de Moraes, presidente da Corte – no início da noite desta quarta, aponta “possíveis vulnerabilidades do sistema”, mas descarta a detecção de fraudes na disputa deste ano. Foi um desalento aos bolsonaristas, em especial para aqueles que seguem em frente aos quartéis do Exército pedindo uma “intervenção militar” para evitar a posse de Lula em 1º de janeiro.

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