BRASÍLIA – Hugo Motta (Republicanos-PB) encerrou seu primeiro ano na presidência da Câmara dos Deputados quitando dívidas. Ele colocou para votação os projetos de lei da anistia e do imposto de renda e pôs uma pedra nos processos de cassação do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) e do trio Carla Zambelli (PL-SP), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ).
O movimento não foi suficiente, e Hugo Motta ainda será cobrado da promessa feita à bancada do PT quando se candidatou à presidência: ele se comprometeu a articular a indicação do deputado Odair Cunha (PT-MG) para a vaga da Câmara no Tribunal de Contas da União (TCU). Outros débitos também estão pendentes, entre eles as votações da PEC da Segurança e do projeto de lei antifacção.
Fora as faturas herdadas da primeira metade do mandato, Motta começa o segundo ano como presidente da Câmara com tensionamento da relação entre oposição e base intensificada pelas eleições e com seus próprios interesses na balança. A aproximação do fim do mandato também o cerca, e o desejo de reeleição para continuar como presidente figura nos planos de Hugo Motta.
Parlamentares têm avaliações diferentes sobre como ele conduzirá a Câmara nos próximos meses para se firmar como a única opção viável para a presidência e conseguir acalmar os ânimos de grupos opostos nesse período eleitoral, ainda inflamados pelos desdobramentos da investigação sobre as fraudes do Banco Master. Mesmo em sigilo, figuras ouvidas por O TEMPO Brasília rejeitam as acusações de que Motta foi um presidente fraco em 2025 e consideram que ele enfrentou um “ano de loucura”.
Esses políticos admitem, contudo, que as condições pré-eleitorais exigirão uma posição mais firme de Hugo Motta. A avaliação geral é que ele evitará desgastes públicos e continuará recorrendo ao colégio de líderes para não se comprometer com temas polêmicos e tentando agradar base e oposição. Os interesses familiares do presidente da Câmara, na análise de um líder, pesarão nas posições que ele adotará.
A Paraíba terá duas cadeiras do Senado em disputa nas eleições. O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) tentará a reeleição. A tendência é que ele dispute o apoio do PT na Paraíba com o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), que é pai de Hugo Motta. Na Paraíba, Republicanos e PT integram o mesmo grupo político e compõem a base do governador João Azevedo (PSB).
Pela articulação costurada por enquanto, Azevedo é o cabeça de chapa desse grupo para concorrer ao Senado. Wanderley e Veneziano disputarão a segunda vaga. Um dos líderes que O TEMPO Brasília ouviu considerou que Motta pode estreitar as relações com o PT na Câmara, apoiando propostas do Palácio do Planalto durante o ano, para viabilizar o apoio do partido à candidatura do pai.


