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Decisão sobre mandato de Glauber Braga contou com articulações opostas de Lula e Motta

Líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), trabalhou na elaboração de estratégia para manutenção do mandato de Glauber Braga (PSOL-RJ)

BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou o PT a articular contra a cassação do mandato do deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ). A recomendação foi distribuída à liderança do governo, hoje com o deputado José Guimarães (PT-CE), pela ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Foi de uma negociação entre PT e PSOL que nasceu a estratégia para proteger o mandato de Glauber. A estratégia deu certo, e a Câmara dos Deputados rejeitou a cassação.

Enquanto Guimarães e o líder do PT, Lindbergh Farias (PT-RJ), articulavam a operação, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), agia no sentido contrário. A sessão acontecia enquanto ele telefonava para parlamentares com a intenção de atrair os 257 votos necessários para cassação do mandato de Glauber Braga. Quem também articulou, mas à distância, foi o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Uma posição pública do deputado Fausto Pinato (PP-SP) escancarou que Lira não conseguiu consenso dentro do próprio partido. A manutenção do mandato de Glauber Braga é uma derrota para ele, que patrocinou pessoalmente o processo de cassação, e ainda para Hugo Motta à medida que ele trabalhou contra o parlamentar do PSOL.

Suspensão por seis meses
A Câmara dos Deputados rejeitou a cassação do mandato do deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) e determinou a suspensão parlamentar dele por seis meses. O resultado foi obra de articulação da base aliada com atuação em duas frentes. O primeiro movimento era uma aposta na votação secreta apelando aos deputados que, se não quisessem votar pela rejeição, se abstivessem. A estratégia era evitar que se conseguissem os 257 votos necessários para cassar o mandato.

O segundo ato foi a proposta de uma punição alternativa à cassação. O argumento era que decretar a perda do mandato e condenar o deputado à inelegibilidade por oito anos seriam sanções muito radicais para o ocorrido. O parlamentar do PSOL era alvo de pedido de cassação por reagir a provocações de um representante do Movimento Brasil Livre (MBL). Na ocasião, Glauber o expulsou da Câmara a chutes e pontapés.

O episódio aconteceu em 16 de abril de 2024, e a bancada do Partido Novo apresentou à Câmara uma representação pedindo a perda do mandato do deputado. O processo passou pelo Conselho de Ética e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de chegar ao plenário.

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