PolíticaSTJLicença médica tira Buzzi do STJ após acusação de assédio

Licença médica tira Buzzi do STJ após acusação de assédio

Ministro entrega atestado sem prazo de volta um dia depois de Corte abrir sindicância; caso também chegou ao STF e ao CNJ

BRASÍLIA – Sem informar diagnóstico nem tempo de licença, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi apresentou nesta quinta-feira (5/2) um atestado médico que o afasta de suas atividades na Corte.

Denunciado e investigado por assédio sexual a uma jovem de 18 anos, filha de um casal de amigos, em uma casa de praia do ministro, em Balneário Camboriú (SC), o ministro estaria internado, mas a causa e o local de internação não foram informados. Recentemente, o magistrado teria tido um marca-passo implantado no coração.

O afastamento ocorreu no dia seguinte ao tribunal decidir, por unanimidade, abrir uma sindicância para apurar as denúncias atribuídas a Buzzi.

Os ministros Raul Araújo, Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira foram sorteados para compor uma comissão responsável por conduzir a investigação interna. Alegando ligações familiares, a ministra se declarou impedida de participar da sindicância e um novo nome deve ser sorteado.

Conversas em plenário

Na quarta-feira (4/2), Buzzi compareceu ao início da sessão do tribunal para falar aos colegas. Disse ter sido surpreendido pelas acusações e negou o episódio. Depois que deixou o plenário, os ministros decidiram instaurar o procedimento administrativo.

A licença médica interrompe, por ora, a participação de Buzzi nas atividades do STJ enquanto as apurações avançam em três frentes: administrativa, disciplinar e criminal.

Se a conduta for confirmada, a punição prevista pode incluir aposentadoria compulsória. Paralelamente, o caso também é analisado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde já tramita procedimento administrativo.

Na esfera criminal, a investigação chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), foro responsável por processar magistrados de cortes superiores. A ocorrência foi registrada pela família da jovem na Polícia Civil de São Paulo, em janeiro, no mesmo dia do suposto crime, e encaminhada ao STF.

Segundo relatos prestados por familiares, a vítima tratava o ministro como “tio” e estava hospedada com os pais no imóvel do magistrado. A acusação descreve uma tentativa de aproximação forçada. O caso foi publicado inicialmente pelo “Metrópoles”.

A defesa nega. “O ministro Marco Buzzi informa que foi surpreendido com o teor das insinuações divulgadas por um site, as quais não correspondem aos fatos. Repudia, nesse sentido, toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”, disse por meio de nota.

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