BRASÍLIA – A Polícia Federal cancelou nesta terça-feira (27/1) três dos quatro depoimentos previstos no inquérito do caso Master, que ocorreriam na sala de audiência do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedidos das defesas por falta de acesso aos autos.
Dos quatro depoimentos marcados, apenas o do ex-diretor do Banco Master Luiz Antônio Bull foi mantido, previsto para começar às 10h, em formato virtual.
Os interrogatórios do ex-superintendente de Operações Financeiras do BRB Robério Mangueira, previsto para as 8h, e dos ex-sócios ligados ao grupo de Daniel Vorcaro – Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, às 14h, e Augusto Lima, às 16h – foram adiados para datas ainda não definidas.
Segundo a Polícia Federal, os adiamentos atendem a pedidos das defesas, que afirmaram não ter tido acesso ao conjunto completo dos autos a tempo de analisar o material e orientar seus clientes antes dos depoimentos.
Oitivas da segunda-feira também esvaziadas
Na segunda-feira (26/1), a rodada de oitivas já havia sido marcada por adiamentos e silêncio. O ex-superintendente-executivo da Tesouraria do Banco Master, Alberto Félix de Oliveira Neto, optou por exercer o direito de não responder às perguntas, por orientação da defesa. Ele informou à PF que está à disposição para prestar novo depoimento após o acesso integral aos autos do procedimento conhecido como “Compliance Zero”.
No mesmo dia, os depoimentos de ex-executivos da Tirreno Consultoria também foram adiados com a mesma justificativa. Já o diretor de finanças e controladoria do Banco de Brasília (BRB), Dario Oswaldo Garcia Junior, foi o único a prestar depoimento, cujo conteúdo permanece sob sigilo.
Fraudes na emissão de títulos de créditos
A Tirreno Consultoria é apontada pela Polícia Federal como peça central nas apurações sobre uma suposta fraude envolvendo emissões de títulos de crédito que somariam R$ 12,2 bilhões.
Segundo a investigação, a empresa teria participado de uma operação entre o Banco Master e o BRB para repassar créditos considerados fictícios, com o objetivo de ocultar uma crise de liquidez do conglomerado controlado por Daniel Vorcaro.
As oitivas no STF integram a fase de coleta de depoimentos do inquérito, que pode definir se o caso permanece na Suprema Corte ou retorna à Justiça Federal de primeira instância.


