Não é novidade que a cannabis tem vários benefícios para tratamentos diversos da saúde. Mas, apesar dos inúmeros pontos positivos, o assunto ainda gera polêmica, visto que o uso do produto não é permitido em muitos lugares do mundo — incluindo no Brasil —, além de existir um grande preconceito acerca do assunto.

O canabidiol, um dos muitos compostos encontrados na cannabis, tem sido estudado por seus potenciais benefícios à saúde e ao bem-estar, incluindo para a saúde da mulher. A substância pode ajudar a amenizar sintomas de cólicas menstruais, endometriose, ansiedade e depressão. Também existem lubrificantes feitos à base do canabidiol.

A especialista em mercado canábico Juliana Guimarães explica que, no Brasil, existem duas formas reguladas de ter acesso ao produto, por meio de resoluções da Anvisa. Também é necessário possuir uma prescrição médica, com receitas de controle especial ou com autorização sanitária, a depender do produto.

Juliana cita um estudo apresentado pela sociedade norte-americana de menopausa, que atestou que 30% das mulheres que fizeram uso ou que estão usando produtos à base de cannabis conseguiram controlar os sintomas da menopausa — índice maior do que aquelas que tentaram a terapia hormonal tradicional. “A gente está falando de um tratamento terapêutico que pode ter impacto desde o humor até o alívio de cólicas menstruais, por exemplo, nos desconfortos da menopausa”, explica.

Ela ressalta que o canabidiol também tem efeito positivo na vida sexual. “Pode ajudar na libido, na energia sexual e no ato propriamente dito, fazendo com que você tenha, inclusive, uma melhor qualidade de vida”, complementa. A especialista também cita a cannabis na redução de dores causadas por doenças como fibromialgia e outras dores crônicas.

Além disso, Juliana explica que, normalmente, esses produtos possuem menos efeitos colaterais e são menos invasivos. “Eles apresentam efeitos colaterais menores ou menos impactantes ou, às vezes, nem apresentam. Proporcionam uma qualidade de vida melhor, e é um tipo de tratamento menos invasivo”, finaliza.

Lubrificantes de cannabis

Uma das novidades do mercado são os lubrificantes de cannabis. O produto, que contém óleo de coco, ajuda a aumentar o prazer durante as relações sexuais, pois deixa a região mais sensível, uma vez que faz com que a região absorva mais da composição, causando um prazer mais demorado, explica a ginecologista Tatianna Ribeiro, da clínica Rehgio. A especialista indica usar o lubrificante 15 minutos antes de ter a relação.

Mesmo oferecendo diversos benefícios, a médica explica que muitas mulheres têm preconceito com o assunto, por acharem que o lubrificante terá o mesmo efeito ilícito causado pelo cigarro de maconha. “Ele não tem essa capacidade. Isso é super importante, que fique bem claro, porque as mulheres, às vezes, acham que vão ter uma relação e vão ter um orgasmo brilhante, maravilhoso, exuberante e fantástico porque vão estar tontas sob o efeito da maconha, e isso não é o que acontece”, esclarece.

Outro grande problema é que esses produtos ainda não são legalizados no Brasil e existem diversas polêmicas em torno do assunto. Tatianna explica que não existe uma fiscalização no país, portanto, não é possível saber a quantidade de canabidiol usado nos lubrificantes. “Acaba sendo um risco para a saúde da vagina e a saúde da mulher de uma maneira geral. Esse é um problema super importante, não só para os lubrificantes, mas para todos os produtos contendo canabidiol”, ressalta. 

A ginecologista também cita o benefício da substância nos tratamentos de endometriose e adenomiose. “A endometriose gera muita dor e muita cólica, porque gera muita inflamação na pelve da mulher, então ele (canabidiol) tem um efeito de reduzir essa inflamação, diminui o efeito pró-inflamatório dessas células, e é um bom agente, que vai combater a dor da cólica menstrual”, esclarece.

Ainda segundo a médica, as mulheres seriam “bastante beneficiadas com o uso da canabidiol”, e destaca a importância dos estudos a respeito desses benefícios. “A gente precisa, sim, de mais estudos e quebrar o preconceito que existe em relação a essa terapia”, finaliza.

Longevidade

Agostinho Moreira, médico especialista em longevidade saudável da clínica Viva Mais, explica que, devido às propriedades anti-inflamatórias, a cannabis tem potencial para influenciar positivamente no processo de longevidade feminina.

Apesar disso, o médico alerta: “É importante lembrar que a pesquisa sobre os benefícios do CBD para a saúde da mulher ainda é limitada e mais estudos são necessários para confirmar seus efeitos. Além disso, o uso do CBD pode ter efeitos colaterais e interagir com outros medicamentos, portanto, é importante falar com um profissional de saúde antes de usar o canabidiol para qualquer condição médica.”

Agostinho cita algumas das condições em que o canabidiol pode ajudar a tratar em mulheres:

Síndrome pré-menstrual (SPM) e cólicas menstruais: nesse caso, o canabidiol pode ajudar a aliviar sintomas de dor, inchaço e irritabilidade associados à SPM. A substância também pode ajudar na redução da intensidade das cólicas menstruais, que costumam causar bastante incômodo durante o período menstrual.

Endometriose: a endometriose é uma condição na qual o tecido do revestimento do útero cresce fora do útero, ocasionando dores e desconforto para as mulheres. Para tratar essa condição, o canabidiol pode ajudar a reduzir as dores associadas à doença.

Menopausa: de acordo com Agostinho, o uso ajuda a aliviar os sintomas da menopausa, que incluem ondas de calor, insônia e ansiedade.

Ansiedade e depressão: o médico alerta que as mulheres estão mais propensas a terem ansiedade e depressão. O canabidiol pode ajudar a lidar com essas doenças.

Distúrbios do sono: outra condição que a substância pode ajudar a aliviar são os distúrbios do sono. Nesse caso, a cannabis pode auxiliar a melhorar a qualidade do sono e a tratar a insônia.

Contraponto

Apesar dos inúmeros benefícios, o canabidiol pode ter um efeito negativo no tratamento de algumas doenças de visão. De acordo com o oftalmologista do Visão Hospital de Olhos Tarciso Schirmbeck, o uso do cannabis no tratamento do glaucoma ainda não é permitido.

“Não podemos banalizar seu uso. Nessa alteração oftalmológica, por exemplo, o tempo do efeito do canabidiol é somente de três horas, o que levaria à necessidade de uso de várias vezes por dia, causando efeitos colaterais e até uma possível dependência ao paciente”, explica o médico.

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