Brasil tem o terceiro maior registro de doadores de medula óssea do mundo

Celebrado anualmente no terceiro sábado do mês de setembro, o Dia Mundial do Doador de Medula Óssea reforça a urgência dos pacientes que aguardam por um transplante. O procedimento salva vidas e pode beneficiar pessoas com cerca de 80 doenças diferentes, como leucemias, linfomas, mieloma múltiplo, aplasia de medula e imunodeficiências. O procedimento consiste na substituição de uma medula óssea doente por células normais de medula óssea (células-tronco), com o objetivo de reconstituir uma medula saudável.

O Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea no Brasil – REDOME, vinculado ao Ministério da Saúde, é o terceiro maior registro do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da Alemanha. São mais de 5,5 milhões de brasileiros cadastrados. Quanto mais cadastros, maiores são as oportunidades de compatibilidade entre medulas, o que acelera o procedimento de doação. Por isso, a chance de se identificar um doador compatível, atualmente, é de até 88% ainda na fase preliminar de busca, sendo que no fim do processo, 64% dos pacientes têm um doador compatível confirmado.

Encontrada no interior dos ossos, a medula óssea contém as células-tronco hematopoéticas, que produzem os componentes do sangue, incluindo as hemácias ou glóbulos vermelhos, os leucócitos ou glóbulos brancos, que são parte do sistema de defesa do nosso organismo, e as plaquetas, responsáveis pela coagulação. O transplante de medula óssea pode ser autólogo (autogênio), ou seja, quando a medula vem da própria pessoa, ou alogênico, quando vem de um doador. O médico responsável determina qual o tipo de transplante será realizado de acordo com a doença. Quando o tratamento de escolha é o transplante alogênico, inicia-se a busca de doadores entre os familiares. Normalmente, irmãos ou pais têm maiores chances de composição genética semelhante.

Quando o doador familiar não é encontrado, a solução é procurar um doador compatível entre indivíduos não familiares, na população regional ou mundial, que representem os diversos grupos étnicos (brancos, negros, amarelos etc.) e sua miscigenação. O REDOME reúne todos os dados dos voluntários, como nome, endereço, resultados de exames e características genéticas. Para saber se o doador é compatível, são realizados testes no sangue, chamados de exames de histocompatibilidade (HLA).

Quem pode doar medula óssea?

Para se tornar um doador de medula óssea é necessário ter entre 18 e 35 anos, estar em bom estado geral de saúde, não ter doença infecciosa no sangue ou incapacitante, não apresentar doença neoplásica (câncer), hematológica ou do sistema imunológico.

O primeiro passo é realizar o cadastro no hemocentro mais próximo, onde será feita a coleta de amostra de sangue (5ml) para o exame de compatibilidade. Os dados do doador são inseridos no cadastro do REDOME e quando houver um paciente com possível compatibilidade, o voluntário é contatado. O material pode ser enviado para o paciente da mesma cidade, país ou até fora do Brasil.

No momento do cadastro do doador, além do HLA, são realizadas avaliações clínicas e outros exames laboratoriais para garantir a segurança do doador e do paciente.

Ministério da Saúde

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