O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou neste domingo (26) que não há definição sobre a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na posse do presidente eleito na Argentina, Javier Milei. Sobre as críticas feitas pelo argentino ao petista durante a campanha eleitoral no país vizinho, o chanceler brasileiro disse que campanha e governo são coisas distintas. 

“O que foi dito durante a campanha é uma coisa, e o que acontece durante o governo é outra. Eu não sei se o presidente poderá ir ou não (à cerimônia de posse), ele estará chegando de uma longa visita ao exterior e terá a Cúpula do Mercosul no Brasil. O que eu posso dizer é que existe entre o Brasil e Argentina uma relação muito forte, muito importante, que foi criada a partir dos entendimentos na década de 80”, disse. 

A cerimônia de posse de Milei, marcada para 10 de dezembro, ocorre dias depois de o petista voltar de missão oficial da Arábia Saudita, do Catar e dos Emirados Árabes, na Ásia, além de uma viagem à Alemanha, na Europa. Ele embarca para esse circuito na próxima segunda-feira (27). Após essas viagens internacionais, o presidente participa de encontro do Mercosul, no Rio de Janeiro.

A futura chanceler da Argentina, Diana Mondino, entregou neste domingo (26) ao ministro do Itamaraty, Mauro Vieira, em Brasília, uma carta escrita por Milei endereçada a Lula. No texto, ele o convida para participar da sua cerimônia de posse, que ocorre em 10 de dezembro em Buenos Aires, e ainda fala sobre “construção de laços”. 

“Desejo que nosso tempo juntos como presidentes e chefes de governo seja uma etapa de trabalho frutífero e de construção de laços que consolidem o papel que Argentina e Brasil podem e devem desempenhar no conjunto das Nações”, diz um dos trechos do documento que o chanceler disse que tentará entregar ao presidente ainda neste domingo. 

    Desde que venceu a corrida eleitoral, no último domingo, o argentino vem amenizando o tom contra figuras políticas que sempre criticou. Além de Lula, entram nessa conta o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o presidente da China, Xi Jinping. Do ponto de vista econômico, as nações são parceiras importantes da Argentina. 

    O Ministério de Relações Exteriores do Brasil está atualmente avaliando a delegação que será enviada ao evento de posse, e se Lula irá participar. Isso porque além de ter feito críticas contra o presidente durante sua campanha eleitoral. Milei já havia convidado o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o filho dele, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), para a posse. 

    “Eles podem convidar todos que quiserem, e eu vou transmitir ao presidente Lula o convite. E aí veremos como será, mas não há nenhum tipo de problema, de constrangimento, nada dessa natureza porque os governos organizam as listas de convidados e mandam. Os que quiserem aceitam, mas também há um tratamento diferente para chefes de Estado e para convidados diretos”, afirmou Vieira. 

    O economista, que se define como “ultraliberal e anarcocapitalista”, é chamado de “Bolsonaro argentino” por alguns. Por isso, há preocupação em como seria para Lula participar da cerimônia ao lado dos principais adversários políticos dele, e com a possibilidade de algum constrangimento. 

    Primeiro encontro com futura chanceler

    Sobre o encontro com Diana, o ministro ainda disse que eles discutiram sobre questões bilaterais, do Mercosul e também de temas da relação regional. “Falamos também sobre a ampliação e a profundidade e aprofundamento das das decisões do Mercosul. Tema em que temos coincidência porque queremos um Mercosul maior e melhor para beneficiar a integração regional, e estabelecemos esse primeiro contato”. 

    Milei chegou a dizer que, caso eleito, não iria fazer negócios com governos “comunistas”, como classificou o presidente brasileiro. Ele também prometeu retirar o país do Mercosul e cancelar a entrada da nação no Brics, bloco que conta com Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul e terá o ingresso de outros cinco países em 2024. A adesão da nação da América do Sul foi intermediada, sobretudo, pelo petista. 

    “Eu não acompanhei todos os acontecimentos da campanha e todas as declarações, vi algumas. Agora, o que me serviu e vale foi ela dizer que a Argentina quer um Mercosul maior e melhor, e ela também se referiu positivamente em relação ao acordo com a União Europeia”, avaliou Vieira. Em relação ao Brics, o chanceler disse apenas que caberá ao novo governo da Argentina fazer essa avaliação. 

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