Na ocasião, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) bloquearam estradas em todo o país contra a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (20), nove pessoas acusadas de envolvimento na interdição de rodovias federais após o segundo turno das eleições presidenciais de 2022.

Na ocasião, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) bloquearam estradas em todo o país contra a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo investigações da Polícia Federal (PF), as ações faziam parte de atos que visavam impedir a posse do petista e a manutenção de Bolsonaro no poder.

Às interdições, segundo a PF, somaram-se as derrubadas de torres de transmissão de energia, os acampamentos na frente de quartéis do Exército e atos violentos em Brasília, como a quebradeira na área central da capital em 12 de dezembro de 2022 e o atentado à bomba no aeroporto, 12 dias depois.

Donos de empresa estão entre denunciados ao STF
O recente pedido contra os supostos envolvidos em interdição de rodovia diz respeito a apenas um de tantos episódios similares registrados após a vitória de Lula. Os denunciados são ligados ao grupo empresarial Bremer. Entre eles, estão Horst Bremer Junior e Lilian Bremer Vogelbacher, diretores da empresa.

De acordo com a denúncia, protocolada pelo procurador geral da República, Paulo Gonet, as provas mostram que os acusados participaram de bloqueios de rodovias em Santa Catarina entre 30 de outubro e 7 de novembro de 2022.

Gonet afirma que os empresários uniram-se a funcionários e “efetuaram a interdição da rodovia federal BR-470 em Rio do Sul/SC”, com blocos de concreto, toras de madeira e postes. Além de carregarem faixas com mensagens pedindo o fechamento do STF e intervenção militar. Parte do bloqueio ocorreu no quilômetro 139, em frente à loja da Havan de Rio do Sul.

“O nítido objetivo era o de, mediante atos violentos, abolir o Estado Democrático de Direito”, diz a denúncia. Gonet pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que os suspeitos do caso se tornem réus a fim de responderem pelas ações de associação criminosa e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Ainda segundo a PGR, os movimentos de bloqueio das rodovias tiveram ligação com os ataques de 8 de janeiro em Brasília, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas.

A defesa diz entender que a denúncia é um “passo natural” dentro das configurações do estado democrático de direito. Ainda afirma confiar nas instituições estatais e, se for acatada a acusação, “com a abertura do contraditório e da ampla defesa, a absolvição será o único caminho a ser seguido”, concluem os advogados.

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