Mourão ri de possível investigação de tortura na ditadura: ‘Vai trazer do túmulo?’

O vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos) ironizou, nesta segunda-feira (18/4), a possível investigação de casos de tortura na ditadura militar. Sessões do Superior Tribunal Militar entre 1975 e 1985 revelam denúncias no Brasil, de acordo com áudios inéditos analisados pelo historiador Carlos Fico, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O general riu ao dizer disse que “os caras já morreram tudo” e questionou: “Vai trazer os caras do túmulo de volta?”

“Apurar o quê? Os caras já morreram tudo, pô. Vai trazer os caras do túmulo de volta?”, debochou, na chegada ao Palácio do Planalto.

Mourão completou que o assunto é “passado”. “História, isso já passou, né? É a mesma coisa que a gente voltar para a ditadura do Getúlio (Vargas). São assuntos já escritos em livros, debatidos intensamente. É passado, faz parte da História do país.”

“É lógico, você tem que conhecer a História. A História, ela sempre tem dois lados ao ser contada. Então, vamos lembrar: aqui houve uma luta, dentro do país, contra o Estado brasileiro, por organizações que queriam implantar a ditadura do proletariado aqui. Era um regime que na época atraía, vamos dizer assim, uma quantidade grande da juventude brasileira e, também, parcela da sociedade, mas que perderam essa luta. Ah, houve excessos? Houve excesso de parte a parte.”

Os áudios foram revelados com exclusividade pelo blog da Miriam Leitão, no jornal O Globo. A jornalista foi vítima de tortura durante o período ditatorial no Brasil.

Em um dos trechos, o ministro Waldemar Torres da Costa debate o tema durante sessão. “Quando as torturas são alegadas e, às vezes, impossíveis de ser provadas, mas atribuídas a autoridades policiais, eu confesso que começo a acreditar nessas torturas porque já há precedente.”

No dia 24 de junho de 1977, o general Rodrigo Octávio Jordão Ramos fala: “Fato mais grave suscita exame, quando alguns réus trazem aos autos acusações referentes a tortura e sevícias das mais requintadas, inclusive provocando que uma das acusadas, Nádia Lúcia do Nascimento, abortasse após sofrer castigos físicos no Codi-DOI.”

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