Decisão ocorre após o Congresso ter causado uma série de derrotas ao governo na terça-feira (28), em sessão que derrubou vetos do presidente

BRASÍLIA. Apesar das recentes derrotas impostas ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pelo Congresso Nacional na última terça-feira (28), o ministro Alexandre Padilha, responsável pela articulação política, deve permanecer no cargo – ao menos pelos próximos meses.

Embora haja discussões sobre uma possível reforma ministerial no governo Lula, essa mudança ainda está distante e prevista para ocorrer apenas entre as eleições municipais e a eleição da nova Mesa Diretora da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Até lá, Padilha continua na linha de frente da articulação com os parlamentares.

Para demonstrar seu voto de confiança em Padilha, Lula marcou para segunda-feira (3) a primeira reunião com líderes do governo, com o objetivo de participar diretamente da articulação política com o Congresso Nacional. A intenção do presidente é estar presente nesses arranjos, não deixando essa responsabilidade exclusivamente nas mãos de Padilha.

Além do ministro, participarão da reunião os líderes do governo no Congresso Nacional, Randolfe Rodrigues (Sem partido-AP), no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e na Câmara, José Guimarães (PT-CE).

Lula enfrentou derrotas significativas nesta semana, incluindo a derrubada do veto sobre a restrição da saída temporária de presos em feriados, conhecida como “saidinha”. Além disso, o Congresso manteve um veto que dificulta a punição para a disseminação de fake news de caráter eleitoral, uma medida adotada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Partidos como União Brasil, Republicanos e MDB, que possuem ministros no governo, foram decisivos para impor essas derrotas ao Palácio do Planalto.

Teimosia de Lula?
No último mês, Lula defendeu publicamente o ministro Alexandre Padilha após uma tensão com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), figura influente do Centrão.

Durante seu discurso na cerimônia de inauguração da nova sede da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em 12 de abril, Lula destacou a persistência de Padilha no cargo: “Só de teimosia o Padilha vai permanecer nesse ministério por muito tempo”. O ministro estava presente no evento.

Na ocasião, Lula descreveu a complexidade do cargo de ministro das Relações Institucionais ao longo do tempo: “O Padilha está em um cargo que parece ser o melhor do mundo nos primeiros seis meses, e depois começa a ser um cargo muito difícil. Os primeiros seis meses são como um casamento, a gente ainda não sabe os defeitos, a gente ainda tá se descobrindo, promete coisas que não vai fazer, começa o momento que começa a cobrar”.

Ele enfatizou a importância da capacidade de lidar com adversidades no Congresso Nacional: “Mas só de teimosia o Padilha vai ficar muito tempo nesse ministério, porque não tem ninguém melhor preparado para lidar com adversidades no Congresso Nacional que o companheiro Padilha.”

Relembre a tensão Lira x Padilha
No último mês, o presidente da Câmara dos Deputados chamou Alexandre Padilha de “desafeto pessoal” e “incompetente”. Em resposta, o ministro das Relações Institucionais afirmou que “não iria descer ao nível” para responder aos comentários de Lira.

Padilha ainda provocou Arthur Lira, natural de Alagoas: “Sinceramente, eu não vou descer a esse nível. Sou filho de uma alagoana arretada que sempre disse: ‘meu filho, se um não quer, dois não brigam’. Eu aprendi a fazer política com o presidente Lula, política com civilidade”, declarou o ministro.

Lira vem criticando Padilha desde o ano passado, acusando-o de descumprir acordos. Em resposta, o político alagoano deixou de fazer articulação política diretamente com o ministro.

O presidente da Câmara aumentou o tom ao demonstrar irritação com a interferência do Palácio do Planalto na votação sobre a manutenção da prisão do deputado Chiquinho Brazão (Sem Partido-RJ). Lira acusou Padilha de “plantar” a versão de que o resultado da votação significava um enfraquecimento dele à frente da Casa.

Posteriormente, Lira admitiu que errou ao chamar Alexandre Padilha de “desafeto pessoal” e “incompetente”. “Tenho erros e acertos, não tenho problema de reconhecer o erro quando eu faço”, disse Lira em entrevista ao programa Conversa com Bial, da TV Globo.

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