Lula afirma que vai liberar o que for preciso para socorrer e reconstruir o RS, mas diz ser necessário tomar medidas para evitar novas tragédias

BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (5), em Porto Alegre, durante reunião com autoridades federais e locais sobre os efeitos das enchentes no Rio Grande do Sul, que a União não poupará esforços materiais e humanos, nem recurso financeiros, para acolher as vítimas e recuperar o Estado.

“Eu sei que o Estado tem uma situação financeira difícil, sei que tem muitas estradas com problema. Quero dizer que o governo federal, através do Ministério dos Transporte, vai ajudar vocês a recuperarem as estradas estaduais”, garantiu Lula.

Ele, no entanto, ressaltou que também é necessário tomar medidas para evitar novas tragédias. “É preciso que a gente pare de correr atrás da desgraça. É preciso que a gente veja com antecedência o que pode acontecer de desgraça para gente poder trabalhar.”

Essa é a segunda viagem de Lula ao Estado desde o começo do temporal. Ele esteve lá na quinta-feira (2). Voltou na manhã deste domingo acompanhado de 40 pessoas, sendo 18 autoridades, incluindo representantes do Congresso, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU).

Antes da declaração, que contou com a presença da imprensa, Lula fez um sobrevoo por áreas atingidas entre Canoas e Porto Alegre, acompanhado dos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), além do vice-presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin.

“Eu sou um homem que crê muito em Deus. E eu coloquei meu time de ministros à disposição nesta viagem. Chamei também os representantes dos outros poderes. Era necessário ver de perto, como estamos fazendo aqui, para compreender a escala do que aconteceu e ajudar a população do Sul”, ressaltou o presidente.

Leite diz não ser hora de apontar culpados

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), que falou antes de Lula, disse que “não é hora de procurar culpados”. “Não é hora de procurar culpados, não é hora de transferir responsabilidades. A gente vai ter que trabalhar à altura do que o momento histórico nos exige”, afirmou Leite.

Em seguida ele falou na necessidade de flexibilizar regras fiscais para conseguir reconstruir o Estado. “O orçamento estadual é pressionado por dívidas, déficits, regras fiscais. Eu não consigo fazer despensa, vamos ter restrições que vão exigir excepcionalidades. Nós vamos ter que trabalhar nessa lógica”, elencou Leite.

“O déficit da nossa previdência é maior. A nossa dívida, per capita, é de R$ 10 mil. Nos outros estados é de R$ 3 mil. A máquina pública está sufocada com essa situação e não vai conseguir dar respostas se nós não endereçarmos ações excepcionais do ponto de vista fiscal”, completou.

Lira e Fachin defendem medidas excepcionais

Pouco antes das declarações de Lula e Leite, Arthur Lira defendeu que o Congresso discuta alguma medida “totalmente extraordinária”. Já Edson Fachin falou na possibilidade de se adotar um regime jurídico “especial” e “transitório” em razão da tragédia.

Lula já havia destacado a presença das lideranças de outros poderes e falado da possibilidade de eles contribuíram na facilitação da liberação de recursos para socorrer e salvar o Rio Grande do Sul.

“Eu estou muito satisfeito com a presença do Lira, do Pacheco, do Fachin, do Bruno Dantas. Eu queria ouvir deles o que eles falaram. Ou seja, não haverá impedimento da burocracia para que a gente recupere a grandiosidade desse estado. Pode ficar certo disso. Isto que está sendo falado, está sendo gravado”, disse o presidente.

Dois terços dos municípios atingidos

Conforme o mais recente balanço, divulgado por volta do meio-dia deste domingo, 75 pessoas morreram por causa dos temporais. Com isso, o número de vítimas superou o total da última tragédia ambiental do Estado, em setembro de 2023, quando houve 54 óbitos. Ainda há 103 desaparecidos e 155 pessoas feridas.

A Defesa Civil estima 95,7 mil pessoas fora de casa, sendo 15,1 mil em abrigos e 80,5 mil desalojadas, que recebem abrigo nas casas de familiares ou amigos. Ao todo, 332 dos 496 municípios do estado registraram algum tipo de problema, afetando 707,1 mil pessoas.
próximo artigoBolsonaro volta a ser internado por erisipela e não tem previsão de alta
Artigo seguinteZema dá destaque à Luísa Barreto em evento do Novo e chama esquerda de ‘inimigo’

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here