A futura primeira-dama do Brasil, Rosângela da Silva, a Janja, avalia a possibilidade de “ressignificar o conteúdo do que é ser uma primeira-dama”. Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, a mulher do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mostrou a intenção de ser ativa durante o próximo governo, com um “papel mais de articulação com a sociedade civil”.

Durante a entrevista, veiculada na noite de ontem, Janja comentou os desafios da campanha e o relacionamento que teve com Lula enquanto o ex-presidente estava preso.

“Eu recebi a notícia do pedido de prisão quando eu estava voltando da Itaipu. Eu parei num estacionamento de uma farmácia e eu chorava muito, porque eu não acreditava”, declarou a socióloga durante a entrevista.

Janja e Lula se conhecem desde a década de 1990, nos tempos das Caravanas da Cidadania, quando o petista percorria o país para discutir políticas públicas. Mas, o namoro só começou pouco antes da prisão do petista na Polícia Federal em Curitiba.

Segundo a futura primeira-dama, ela só virou amiga de Lula em 2017, em um jogo de futebol organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), do qual também participou o compositor Chico Buarque. “A gente sentou para almoçar, aí depois ele pediu meu telefone para alguém e foi isso. E a gente foi se aproximando”, contou Janja.

Ela disse ainda, na entrevista deste domingo, que apesar das dificuldades aquele foi um período de “esperança e muito amor”.

“Tem muitas cartas muito felizes e tem muitas cartas muito tristes, porque realmente teve momentos muito difíceis desses 580 dias”, relata a socióloga. Lula e Janja casaram-se em maio, em uma cerimônia com amigos e familiares durante a pré-campanha do ex-presidente.

Na conversa com as jornalistas, a futura primeira-dama também se emocionou lembrando da morte da mãe por covid-19 e falou sobre a programação para a posse de Lula, em 1º de janeiro, a qual foi escalada pelo Gabinete de Transição para organizar. “Eu vou estar feliz e, com certeza, eu vou cantar.”

Janja planeja uma posse pouco convencional, com o presidente eleito subindo a rampa do Palácio do Planalto ao lado de “Resistência”, a vira-lata que passou os 580 dias da prisão do petista em vigília diante da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. A socióloga pensa, também, em contar com pessoas comuns, sem cargos, para entregarem a faixa presidencial para Lula, no Parlatório do Planalto.

Logo depois da entrevista, Janja recebeu uma ligação de Lula e brincou com as jornalistas. “Ele estava mais nervoso do que eu”, disse.

Interlocução

Outro tema abordado na entrevista ao Fantástico foi sua participação durante a campanha, inclusive os episódios de articulação dos quais participou. Sobre a interlocução junto à senadora Simone Tebet (MDB-MS) para que atuasse junto a Lula no segundo turno, Janja destacou que não foi nada planejado para que ela fosse a articuladora e fez questão de destacar que já observava a campanha da candidata, a qual avaliou como “significativa do ponto de vista do olhar feminino”.

Ela intermediou a primeira conversa, por telefone, entre Tebet e Lula. “As coisas acontecem muito no calor. Naquele momento a gente estava em casa. Falei: vamos ligar, vamos ligar, e falei com a senadora. Mas eu não tenho nenhum papel de articulação política. Pode até ter acontecido, mas não foi uma coisa planejada”, explicou.

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