Monique Pacheco tem histórico de atividade política em partidos de esquerda e vai para a disputa na legenda presidida pelo ex-prefeito Alex de Freitas

O Avante, presidido nacionalmente pelo deputado federal Luis Tibé, escolheu Monique Pacheco (Avante) como candidata a prefeita em Contagem para tentar impedir a reeleição de Marília Campos (PT). O nome será oficializado na próxima terça-feira (9). A pré-candidata já disputou o Executivo municipal pelo PSOL e uma vaga de vereadora pelo PT, chegando a ser secretária de Cultura no atual governo. Agora, vai enfrentar os antigos aliados nas urnas.

Quando disputou a prefeitura, em 2016, pelo PSOL, Monique foi derrotada por Alex de Freitas e fez oposição firme ao eleito. Passados oito anos desde a primeira tentativa, foi justamente o ex-prefeito, agora presidente do Avante na cidade, o responsável por dar guarida à candidatura de Monique.

“O Alex me surpreendeu positivamente. Durante muito tempo, eu fui muito combativa ao governo do Alex, mas ele me recebeu de forma muito agradável. Ele teve um grande feito, que foi a coragem de encarar a volta do IPTU, que tornou possível governar a cidade com uma arrecadação que faz diferença para a gestão”, afirma.

A entrada de mais uma pré-candidata defendendo as bandeiras da esquerda não causa receio aos representantes do governo petista na cidade. Monique Pacheco, por sua vez, garante que haverá nenhum tipo de constrangimento em ser opositora aos antigos aliados. “A minha oposição não é contra pessoas, mas contra ideias. Tem um coronelismo muito presente na cultura política da cidade e é contra isso que eu me apresento”, diz.

Apesar do tom apaziguador adotado como pré-candidata, a saída de Monique do governo Marília foi marcada por declarações públicas contra a gestão petista e ex-colegas de governo. Uma das principais reclamações é que ela teria ficado sabendo da demissão via “Diário Oficial do Município” e sem uma justificativa apresentada pela prefeita.

No PT, o sentimento de insatisfação com a ex-aliada permanece. Pessoas vinculadas à legenda dizem que ela teria sido informada previamente das queixas sobre a gestão na Secretaria de Cultura e que as reclamações, feitas após a saída, acabaram expondo o governo. Apesar de ambos os lados não descartarem um acordo, as divergências podem até dificultar uma aproximação em um eventual segundo turno contra Cabo Junio Amaral (PL) ou Felipe Saliba (PRD), que representam a direita na disputa.

Pautas de esquerda

A pré-candidata defende pautas tradicionais da esquerda, como o passe livre no transporte coletivo e políticas de valorização das mulheres, e diz ter garantias de Luis Tibé para manter seu discurso no partido.

“O Avante deu importantes contribuições para a eleição do Lula, com um discurso progressista, que tem pautas que inclusive se chocam com algumas pessoas que estão mais à extrema direita. Quando fui convidada para ser a representante do partido, foi justamente pelo meu perfil político”, explica Monique.

No Avante, uma das duas únicas legendas de oposição com representação no Legislativo da cidade, a expectativa é conseguir ampliar a atual bancada, com dois vereadores. Porém, as alianças, até para o cargo de vice, continuam indefinidas.

 

 

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