Cerimônia foi prestigiada por integrantes da sigla e por diversos nomes do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro

BRASÍLIA – O advogado Antonio Rueda assumiu nesta terça-feira (11) o cargo de presidente-executivo nacional do União Brasil, sucedendo o deputado Luciano Bivar (PE), afastado por suspeitas de ameaças contra Rueda.

A cerimônia de posse ocorreu no Iate Clube de Brasília e contou com a presença diversas lideranças políticas, como o ex-prefeito de Salvador (BA) ACM Neto, que foi empossado como vice-presidente nacional da sigla.

Após sua posse, Rueda compartilhou com a imprensa os desafios que o União Brasil enfrentará em 2024:

“O principal desafio do União do Brasil é, em 2024, eleger um número relevante de prefeituras e ter um número relevante de população governada no modo União”.

O novo presidente do partido também afirmou que a sigla está mais unida do que nunca:

“Vocês viram, não tem dúvida. O partido nunca esteve tão unificado, o partido nunca esteve tão unido, tão motivado. E isso eu tenho certeza que vai ser bom não só para o partido, como para o Brasil”.

No evento, marcaram presença o deputado Elmar Nascimento (BA), líder do partido na Câmara, e os senadores Efraim Filho (PB) e Davi Alcolumbre (AP), líder do partido no Senado.

Ministros do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também compareceram ao evento, incluindo o ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União Brasil), e o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, do Republicanos. O ministro do Turismo, Celso Sabino, que também é do União Brasil, não pôde participar presencialmente e enviou uma gravação.

Apesar de ser um evento do União Brasil, políticos do Partido Liberal (PL) estavam em peso na cerimônia, incluindo o presidente da sigla, Valdemar da Costa Neto, e o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A presença de membros do PL destaca a integração política entre as siglas para as eleições municipais de 2024 e as intenções para o pleito de 2026.

Estiveram presentes os presidentes nacionais do Partido Progressista (PP), Ciro Nogueira; do Republicanos, Marcos Pereira; do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Baleia Rossi; do Avante, Luiz Tibé; e do Solidariedade, Paulinho da Força.

Entre os governadores presentes estavam Cláudio Castro (PL-RJ), Mauro Mendes (Mato Grosso), Marcos Rocha (Rondônia) e Wilson Lima (Amazonas). O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, não pôde comparecer devido a uma pneumonia.

Pré-candidatos às prefeituras também prestigiaram o evento, incluindo Alexandre Ramagem (PL) e Otoni de Paula (União Brasil) do Rio de Janeiro, além de Pablo Marçal (PRTB) de São Paulo.

Ascensão de Rueda
A ascensão de Rueda reflete sua influência e consolidação como uma nova liderança no Centrão, fortalecendo, assim, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).

Rueda mantém articulações próximas com Lira e conta com o apoio de líderes como o deputado Marcos Pereira, líder do Republicanos, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e o senador Ciro Nogueira, presidente do PP.

Sua posse simboliza uma vitória em meio às intrigas internas no União Brasil, especialmente contra Luciano Bivar. O conflito atingiu seu ápice com um incêndio criminoso em propriedades de Rueda e sua irmã no litoral de Pernambuco, em 11 de março.

O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito para investigar Bivar por supostas ameaças a Rueda, atendendo a um pedido da Procuradoria-Geral da República. O caso tramita sob segredo de justiça.

Rueda versus Bivar

A ruptura definitiva entre Bivar e Rueda ocorreu durante uma reunião do partido em agosto de 2023, quando Bivar teria insultado ACM Neto, um aliado de Rueda.

Antes de se tornarem adversários, Rueda e Bivar compartilhavam a direção do Sport Recife, um clube de futebol local.

Insatisfeito com as decisões de Bivar, Rueda começou a articular com líderes igualmente descontentes, antecipando uma troca de comando.

Na véspera da convenção para escolher o novo presidente, Bivar convocou uma coletiva de imprensa, aumentando a tensão ao chamar Rueda de “covarde” e alegar ter “graves denúncias” contra ele, sem apresentar provas.

Bivar foi o primeiro presidente do União Brasil, partido resultante da fusão entre o Democratas e o PSL em 2021, mas não conseguiu se reeleger para a presidência.

O União Brasil possui um milhão de filiados, três ministros no governo Lula, sete senadores, 58 deputados federais, quatro governadores, 101 deputados estaduais, 600 prefeitos, 570 vice-prefeitos e 5.521 vereadores.

Quem é Antônio Rueda

Filho de uma médica e um engenheiro espanhol, Antonio Rueda se formou em Direito, especializando-se na área tributária.

Empresário e ex-presidente da Comissão Especial de Criptomoedas e Blockchain da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Rueda atuou nos bastidores da política.

Integrante do PSL desde os anos 2000, foi cogitado para disputar o governo de Pernambuco em 2006, mas o plano não avançou.

Em 2018, Rueda assumiu interinamente a presidência do PSL durante a licença de Luciano Bivar, que se candidatou a deputado federal. Com o retorno de Bivar, Rueda manteve-se como vice-presidente do partido.

Em 2019, articulou pautas do governo Bolsonaro no Congresso, tentando manter Bolsonaro no PSL durante a crise que resultou na saída do ex-presidente. Rueda foi um dos principais arquitetos da fusão entre PSL e DEM, que resultou na criação do União Brasil em 2022, onde assumiu a vice-presidência.

próximo artigoCampanha “De Mulher para Mulher” da Secretaria de Saúde de Ipatinga incentiva a prevenção
Artigo seguinteCâmara aprova PL do Mover e taxação das ‘blusinhas’ vai à sanção de Lula
0 0 votes
Classificação
Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários