Também poderão ser incluídos na carteira os dados de 12 documentos essenciais, como certidão de nascimento e cartão do SUS

Todo cidadão que fizer a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) poderá incluir na carteira os dados de 12 documentos essenciais, como certidão de nascimento e cartão do SUS. Além disso, os dados cadastrais, como nome, data de nascimento e CPF, ficarão registrados em uma rede blockchain, a mesma tecnologia usada para criptomoedas como o Bitcoin – o que reduziria a chance de fraudes.

A blockchain é um banco de dados que pode ser compartilhado entre diferentes computadores e cujas informações cadastradas não podem ser alteradas. No caso da tecnologia adotada pela CIN, apenas quem tiver permissão, como é o caso dos órgãos de identificação civil, poderá acessar os dados protegidos por criptografia.

De acordo com Alexandre Amorim, presidente da empresa pública de tecnologia Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), um dos objetivos de reunir informações de outros documentos na CIN é elevar a segurança da carteira.

“Compilar esses dados ajuda a construir uma melhor identificação biográfica do indivíduo, reduzindo as chances de fraude. Além disso, centralizar documentos na CIN visa facilitar o acesso de entes públicos ao histórico da vida inteira dos brasileiros”, explica.

A blockchain, que agora é usada para a CIN, foi lançada pelo Serpro em 2021 para o cadastro compartilhado da Receita Federal, cujo objetivo é dividir informações de bases como CPF e CNPJ com outros órgãos públicos que solicitassem o acesso.

“Ainda que a nova carteira possa concentrar dados de vários documentos dos cidadãos, não será possível encontrar todos esses registros em um único lugar, pois as informações não estão localizadas em um mesmo computador. Assim, se houver um ataque cibernético que consiga acessar a blockchain, ele afetaria apenas o computador que foi alvo de invasão, e não toda a rede.”

Sistema de chaves

Os autorizados a acessar a rede receberão uma chave para isso. Segundo Hugo Kuribayashi, professor de sistemas de informação da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), um dos aspectos mais importantes para garantir a segurança da blockchain está na proteção dessas chaves.

“A chave é tão importante quanto a informação que a gente pretende proteger. Se ela for comprometida, potencialmente esses dados também serão.”

Segundo ele, unificar e padronizar a proteção aos dados em um mesmo lugar vai melhorar a segurança, em vez de permitir que cada órgão de identificação estabeleça uma política desse tipo.

Carteira já disponível

De acordo com dados do governo, a emissão da identidade está em andamento em 24 unidades da federação e 8,1 milhões de brasileiros já fizeram a nova carteira. O prazo para trocar o RG, que será extinto, pela CIN vai até 28 de fevereiro de 2032.
(Folhapress)

 

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