Segundo a Polícia Civil do Estado, a expectativa é que o corpo seja liberado para sepultamento na próxima semana após resultados de exames de DNA ainda pendentes

Clarinha, uma paciente sem identificação que ficou em coma por quase 24 anos após um acidente em Vitória, Espírito Santo, ainda não foi enterrada, passados 40 dias desde sua morte em 14 de março. O corpo está no Departamento Médico Legal (DML) da capital capixaba, onde foram feitos testes de compatibilidade com doze famílias em busca de desaparecidos. Segundo a Polícia Civil do Estado, a expectativa é que o corpo seja liberado para sepultamento na próxima semana após resultados de exames de DNA ainda pendentes.

A mulher apelidada de “Clarinha” foi atropelada em 12 de junho de 2000, mas nunca foi identificada. Seu caso ganhou destaque em 2016, após uma reportagem do Fantástico. Desde então, mais de 100 famílias procuraram o Ministério Público para verificar se tinham parentesco com ela. Até o momento foram realizados oito exames de comparação por digitais, sendo sete com resultado negativo e uma ainda em andamento. Além de quatro exames de DNAs, sendo um com resultado negativo e três aguardando resultado. Após isso, os procedimentos legais para liberar o corpo serão iniciados. No entanto, caso não sejam localizados os familiares, o coronel Jorge Potratz, médico que cuidou de Clarinha durante anos, se ofereceu para fazer o enterro.

“Esse caso não é comum em nossa rotina. Não me lembro de um outro com nome fictício ou tantas comparações. Geralmente, quando não é um caso de repercussão a nível nacional como esse, e temos um cadáver não identificado, vêm duas ou três famílias em média para exames, e normalmente da Grande Vitória. Nesse caso, foram muitos exames – até hoje, infelizmente, sem resultados positivos – e estendemos um pouco o prazo para aguardar os resultados pendentes”, falou.

Conforme o chefe do Departamento Médico Legal do Espirito Santo, Wanderson Lugão, em circunstâncias normais, a liberação do DML leva cerca de 30 dias. Contudo, devido à complexidade do caso, com muitas comparações e testes realizados, ficou estabelecido desde o início que levaria pelo menos 40 dias. Porém, apesar de existir um prazo para a liberação do corpo, Lugão reconheceu que novas famílias podem surgir no futuro, caso os últimos resultados também não identifiquem parentes da vítima.

Entenda sobre o sepultamento de “Clarinha”

O sepultamento de um corpo não identificado, segundo o chefe do DML, é feito pela equipe técnica em alguns cemitérios municipais da Grande Vitória que disponibilizam vagas. Normalmente, são os de Maruípe, em Vitória; o de São Domingos, na Serra; e o Pedro Fontes, em Cariacica.

Lugão reforça que, neste caso, o sepultamento é feito em cova separada para que futuramente, caso algum parente seja localizado, seja possível encontrar o corpo com facilidade.

“Não vamos sepultar ela como indigente sabendo que tem o interesse de uma pessoa em dar um enterro digno. Se esses últimos resultados também foram negativos, vamos entrar em contato com o coronel e iniciar o processo. Ele terá que fazer o registro civil como foi autorizado pela Justiça, e fazer uma nova solicitação da Certidão de óbito”, declarou Lugão.

 

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