Resultado das eleições de meio de mandato torna mais difícil o retorno de Trump

Se a aposta do magnata Donald Trump era usar as eleições de meio de mandato para pavimentar o retorno à presidência, o caminho tornou-se mais tortuoso. A votação de terça-feira deixou o republicano enfraquecido, depois de empreender tempo e esforço em comícios por todo o país e ao apegar-se a denúncias infundadas de fraudes em um condado do Arizona. “Embora de certa forma as eleições tenham sido um pouco decepcionantes, da minha perspectiva pessoal foram uma grande vitória”, desconversou Trump, ontem, em sua rede social, a Truth Social.

Antes quase unanimidade entre os conservadores, Trump também testemunhou a ascensão meteórica de um potencial adversário para a indicação do Partido Republicano à Casa Branca. O governador da Flórida, Ron DeSantis, foi reeleito e acabou proclamado por um editorial da emissora Fox News, de inclinação direitista, como o “novo líder do Partido Republicano”. 

Professor de gestão política da George Washington University, Todd Belt disse esperar que Trump anunciará sua campanha presidencial na próxima semana. “Acho que a grande noite de Ron DeSantis deixará Trump com muita inveja e ele anunciará sua pré-candidatura para retornar ao centro do Partido Republicano”, comentou. Ele reconheceu que a maioria dos analistas norte-americanos não esperava que a reeleição do governador da Flórida fosse tão decisiva. “DeSantis mostrou que seus eleitores no estado gostam de seu estilo de liderança e de suas políticas.” 

“Golpe imenso”

Allan Lichtman — historiador político da American University (em Washington) — avaliou que as eleições de terça-feira impulsionaram DeSantis e desferiram um “golpe imenso” em Trump. “DeSantis consagrou a reeleição, como governador da Flórida, em um arroubo. No entanto, muitos candidatos de alto perfil endossados por Trump foram derrotados, mesmo em estados decisivos, como Pensilvânia, New Hampshire, Michigan e Wisconsin”, disse.

Charles S. Bullock III, professor de ciência política da Universidade da Geórgia, disse que a impactante performance de DeSantis nas urnas representa um obstáculo para o desejo de Tump de retornar à Casa Branca. “DeSantis está encorajado a concorrer à presidência e sua entrada na disputa também incitaria outros desafiantes. A derrota de vários candidatos apoiados por Trump pode ser interpretada como sinal de que sua ‘mágica’ se esvai”, explicou. Segundo Bullock, se o ex-presidente perder apoio dos republicanos da base, líderes do partido podem se tornar corajosos o bastante para se levantarem contra o magnata.

Além de DeSantis, o especialista cita Mitch McConnell como um potencial adversário. “Se os democratas perderem o controle do Senado, culparão Trump pelos reveses de 2020 e de 2022. Uma ressalva é que Trump pode não perder tanto apoio entre os eleitores do Partido Republicano. A lição das eleições de terça-feira é de que, em muitas jurisdições, pode não haver eleitores suficientes de Trump que sacramentem sua nomeação nas primárias”, concluiu Bullock. 

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