Putin acompanha manobras militares com forças da China no extremo leste da Rússia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, viajou nesta terça-feira (6) ao extremo leste do país para acompanhar a parte final dos exercícios militares com a participação de vários países aliados, incluindo a China, em um momento em que Moscou busca uma aproximação com a Ásia devido às sanções ocidentais.

A Rússia se encontra cada vez mais isolada devido às tensões com os países ocidentais, que multiplicam as sanções desde que Moscou começou a operação especial na Ucrânia em 24 de fevereiro. 

Sujeito a uma série de sanções sem precedentes de Washington e Bruxelas, Putin procurou se aproximar de países da África, América do Sul e Ásia, especialmente a China. 

Putin presenciou nesta terça-feira exercícios militares chamados Vostok-2002, realizados em vários campos de treinamento no Extremo Oriente da Rússia e em águas ao largo de sua costa leste, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, a agências de notícias locais. 

Putin se encontrou no campo militar de Sergueevsky com o ministro da Defesa Serguei Shoigu e o comandante do Estado-Maior Valery Guerassimov, e deve observar a fase final dos exercícios mais tarde, disse Peskov.

As manobras militares denominadas Vostok-2022 começaram no dia 1 de setembro e prosseguirão até quarta-feira, 7, com mais de 50.000 soldados e mais de 5.000 unidades de equipamento militar, incluindo 140 aviões e 60 navios.

Entre os países participantes estão vários Estados com fronteira com a Rússia, além da Síria, Índia e da aliada crucial China.

A Rússia havia organizado exercícios do tipo pela última vez em 2018.

A visita de Putin ao Extremo Oriente continuará na quarta-feira na cidade portuária de Vladivostok, onde ele deve discursar no Fórum Econômico do Leste.  Mais de 5.000 pessoas participarão do fórum de quatro dias que começou na segunda-feira com uma grande delegação da China, segundo o Kremlin. 

Na sessão plenária do fórum, Putin se encontrou com o parlamentar chinês Li Zhanshu, número três na hierarquia do governo chinês. Li é o principal funcionário do Partido Comunista Chinês a viajar para a Rússia desde a intervenção militar de Moscou na Ucrânia.

 Relação “sem limites”

“As relações Rússia-China de associação integral e cooperação estratégica estão se desenvolvendo progressivamente”, disse o Kremlin em nota, antes do encontro de Putin com Li. Também citou “a abordagem equilibrada da China à crise na Ucrânia e a ‘compreensão’ de Pequim das razões da ofensiva russa. 

Pequim e Moscou se aproximaram nos últimos anos, fortalecendo a cooperação como parte do que chamam de relacionamento “sem barreiras”, no qual se veem como um contrapeso à hegemonia global dos Estados Unidos. 

A China se recusou a condenar a campanha militar da Rússia na Ucrânia e criticou as sanções ocidentais e a venda de armas para Kiev, que prejudicaram as relações de Pequim com o Ocidente.

As tensões aumentaram durante a visita em agosto da presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, a Taiwan, a ilha de governo autônomo que a China considera parte de seu território.

Moscou se solidarizou com Pequim durante a visita de Pelosi, que irritou a China. No fórum econômico, Putin planeja se reunir com o chefe da junta militar de Mianmar, Min Aug Hlaing.

Rússia e China foram acusadas de armar a junta birmanesa com armas usadas para atacar civis desde o golpe de Estado do ano passado.

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