A crise política no Peru parecia, ontem, longe de arrefecer, com confrontos entre manifestantes e policiais em Lima, além da tentativa de tomada de aeroportos em Cusco, Juliaca e Arequipa. De acordo com o jornal peruano El Comercio, “vândalos” atacaram agentes das forças de segurança, na capital. Mais de 24 mil estabelecimentos de saúde acionaram o “alerta vermelho” para receberem os feridos durante os protestos.

Mais de 10 mil policiais foram mobilizados para conter ameaças à ordem e atos de vandalismo. Os manifestantes exigem a renúncia da presidente Dina Boluarte, que ascendeu ao cargo em 8 de dezembro, depois de um golpe autofracassado do líder esquerdista Pedro Castillo.

Por sua vez, o jornal La Republica, também de Lima, informou que um manifestante morreu e 18 pessoas ficaram feridas (14 civis e quatro policiais) durante uma incursão para ocupar o Aeroporto Internacional Alfredo Rodríguez Ballón, em Arequipa, a segunda maior cidade do Peru. Jhancarlo Condori Arcana, 30 anos, perdeu a vida ao ser baleado no abdome. Também houve registros de feridos em Juliaca. Desde o início da convulsão social, pelo menos 45 peruanos morreram durante os choques com as forças da lei.

Embaixador

Rómulo Acurio, embaixador do Peru no Brasil, disse ao Correio acreditar que todos os peruanos respeitam as manifestações de caráter pacífico. “Há muitas coisas que precisam ser melhoradas no Peru, como em toda a região, para eliminar a pobreza e a exclusão social”, admitiu. “No entanto, é inadmissível que, com um suposto objetivo político, se destrua o patrimônio público e se afete o direito de livre circulação dos peruanos, seja por via terrestre, seja por via aérea.

De acordo com o embaixador, a solução para a crise política envolve a expressão das opiniões de forma pacífica e respeitosa. “Sem que haja autoritarismo ou atos golpistas”, destacou. “Também é necessário que eleições antecipadas, totalmente transparentes e plurais, sejam confirmadas o mais rápido possível”, declarou Acurio. Ele também defende que os direitos humanos de todos os peruanos sejam respeitados de maneira irrestrita. “É preciso que as instituições e os partidos democráticos dialoguem intensamente, dentro e fora do Congresso da República, para que o futuro sistema político peruano seja mais estável, a fim de fortalecer a governabilidade e o desenvolvimento sustentável.” 

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