Vitória do premiê nas eleições gerais quebra um domínio de 14 anos de conservadores no poder

O líder trabalhista britânico, Keir Starmer, foi oficialmente nomeado primeiro-ministro pelo rei Charles III, nesta sexta-feira (5/7), após a vitória esmagadora do seu partido nas eleições legislativas, de acordo com uma imagem do seu encontro publicada pelo Palácio de Buckingham.

Acompanhado da esposa Victoria, este ex-advogado de direitos humanos, de 61 anos, que entrou na política há apenas nove anos, foi recebido durante cerca de meia hora no Palácio de Buckingham.

Quem é Keir Starmer

O provável futuro novo premiê é advogado especializado em direitos humanos vindo da classe média. Antes de ganhar destaque na política, chegou a assumir a Procuradoria-Geral. No cargo, decidiu não processar criminalmente os policiais envolvidos no assassinato, em 2005, do brasileiro Jean Charles de Menezes no metrô de Londres.

As propostas do futuro premiê nada têm de radicais: estabilidade econômica com regras rígidas de gastos; redução do tempo de espera do sistema de saúde, com mais 40 mil consultas noturnas e aos fins de semana; criação de uma empresa pública de energia limpa; reforço das polícias de bairro e contratação de 6.500 novos professores, que seriam pagos com o fim de isenções fiscais para escolas particulares.

Sobre migração, tema que mais mobiliza os britânicos, Starmer prometeu enterrar o plano do atual premiê, Rishi Sunak, de enviar solicitantes de asilo para Ruanda, que tem sido muito criticado por organizações de direitos humanos. Para o trabalhista, o dinheiro gasto com o traslado poderia ser investido em aumento de segurança nos pontos de entrada de migrantes e em um sistema que reencaminhe rapidamente a seus países pessoas em situação irregular.

Apesar de ter sido contrário ao brexit, Starmer tem buscado se alinhar ao eleitor médio que defendeu a saída do país da União Europeia. Ele descarta a princípio trabalhar por um novo referendo, restringindo-se a dizer que o arranjo feito pelo ex-premiê Boris Johnson é “muito frágil” e que seu partido buscará um acordo comercial “muito melhor” com o bloco em uma revisão, a ser feita em 2025.

“Tenho uma ambição para o país e um plano prático para realizá-lo. Mudei o Partido Trabalhista e o coloquei novamente a serviço dos trabalhadores”, afirmou Starmer no primeiro debate na TV com Sunak, no início de junho. Ele tem insistido no ponto de que a legenda hoje é diferente do passado. E o motivo é se distanciar das ideias de seu antecessor, Jeremy Corbyn.

Uma vez à frente dos trabalhistas, Starmer escanteou os nomes de esquerda, entre eles Corbyn, que mais tarde deixaria o partido. A guinada ao centro também foi um rompimento com seu próprio passado. Starmer foi membro dos Jovens Socialistas do Partido Trabalhista em East Surrey e editor da Socialist Alternatives, uma revista trotskista.

Seu pai trabalhava como ferramenteiro, e a mãe era enfermeira do NHS, o sistema de saúde britânico que inspirou o SUS (Sistema Único de Saúde) brasileiro. Starmer foi o primeiro da família a ir para uma universidade, em Leeds, onde cursou direito.

Por seu trabalho no Ministério Público, foi condecorado com o título de sir em 2014, uma tradição para os que desempenharam a função, mas incomum para um trabalhista. Entrou para a política institucional e foi eleito pela primeira vez em 2015, aos 52 anos, como representante (deputado) de Holborn e St. Pancras, um distrito de profissionais liberais no centro de Londres, onde vive há anos com a família.

É vegetariano e torcedor fanático do Arsenal, sendo facilmente encontrado nas arquibancadas do Emirates Stadium. (Com informações da Folhapress)

 

 

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