Núcleo gestor do Cruzeiro fala da relação do clube com empresários neste momento de transição

O Núcleo Dirigente Transitório assumiu a gestão do Cruzeiro há 30 dias, e desde então uma força-tarefa tem sido executada, em todas as áreas, para ajudar a sanar a crise financeira pela qual passa o Clube, e, na área esportiva, na montagem do elenco que defenderá o Cruzeiro nas competições de 2020. Neste novo cenário, a atual gestão tem encontrado dificuldades em negociar com alguns empresários de atletas, que preferem não debater com o Clube, ignorando o diálogo.

O presidente do núcleo gestor, Saulo Fróes, falou sobre esta questão enfrentada pelo Clube. “A relação dos empresários com o Cruzeiro deve ser pautada pelos princípios éticos. Não podemos aceitar a falta de ética, compostura, e principalmente, os agentes incentivando os jogadores a entrarem na justiça, e ir para um caminho que não é o adequado. Desde que assumimos, diante da situação difícil do Cruzeiro, nós temos procurado conversar com todos os jogadores, para adaptar à realidade. Em nenhum momento faltou diálogo de nossa parte. Pelo contrário, tanto que nós já chegamos a um bom termo com alguns deles. E com os que estão faltando, nós chegaremos. Por outro lado, em nenhum momento quisemos segurar os atletas. Todos que desejaram sair, saíram, e as portas ficaram abertas, em um possível retorno”, destacou Fróes.

“O que não podemos admitir são agentes que são tendenciosos, que agem por interesse próprio, que procuram os caminhos somente através da justiça. Nós respeitamos, eles têm todo o direito, mas acreditamos que não é a forma adequada, acreditamos que antes deve se ter um diálogo, para não dar um prejuízo ao Clube que não tem necessidade. Estes agentes se esquecem que o Cruzeiro é eterno. Hoje nós estamos em uma situação difícil, mas nós vamos voltar ao topo. Aqueles que nos deram as mãos, nós vamos lembrar, e aqueles que recolheram as mãos, nós também vamos lembrar. A partir de agora, não vamos admitir que estes agentes continuem transitando livremente pelo Clube, trazendo jogadores, quando no momento em que o Cruzeiro mais precisou, eles viraram as costas. Não iremos abrir mão da ética, da transparência, da melhor relação. A relação só é boa quando é boa para ambas as partes e aí está sendo somente para uma parte, e isso nós não vamos admitir. Recentemente tivemos os casos de jogadores que, amparados por seus empresários, procuraram a via errada, ao nosso ver, o que só atrapalha a relação. Mas felizmente a maioria dos empresários tem entendido a situação do Clube, buscando diálogo em busca das melhores soluções”, reforçou Saulo Fróes, destacando que todos os contratos antigos estão sendo analisados.

“Somente para empresários, o Cruzeiro tem um débito enorme, cerca de 20 milhões, de anos anteriores. Existem indícios de irregularidades e nós vamos apurar todos estes contratos. Se estiver tudo certo, tem que pagar, mas se não estiver, além de discutir essa dívida, nós vamos levar para as autoridades, até as últimas consequências, se for preciso”, completou.

O dirigente lembrou que um dos legados do núcleo gestor para as próximas gestões do Cruzeiro será uma espécie de banco de memórias, com todas as ações que estão sendo feitas neste momento de reconstrução, com todos os registros, para as futuras diretorias. Além disso, está sendo construído um portal de transparência para apresentar dados que vão permitir que o torcedor acompanhe as informações administrativas e financeiras do Clube.