Especialista explica as vantagens e as desvantagens de cada um

O financiamento de veículos teve, em 2024, o melhor início de ano desde 2012. As vendas de veículos novos e usados com financiamento bancário somaram 1 milhão de unidades nos dois primeiros meses do ano, segundo dados da B3. Com mercado aquecido nesse sentido, surge o questionamento: vale mesmo a pena financiar um carro? Ou é melhor ter um carro por assinatura? Ou não ter carro nenhum e se locomover apenas por aplicativo, como Uber?

Muitos afirmam que, por conta do peso dos juros do financiamento, buscar carros por assinatura pode ser uma alternativa muito mais atrativa. Outros defendem que nenhuma das duas alternativas é vantajosa e é melhor usar os aplicativos de transporte. E há quem diga que o financiamento ou o consórcio trarão mais vantagens, mesmo com o volume de juros.

A reportagem de O Tempo procurou um especialista para fazer esse cálculo e ajudar a entender em qual cenário cada opção se encaixa como mais vantajosa para o consumidor. Para o consultor financeiro Silvio Azevedo, é preciso ter muito cuidado na hora de fazer as comparações.

Um dos cenários traçados por Azevedo é o de financiamento de um veículo zero km comparado ao mesmo veículo na opção de carro por assinatura. Pegando o exemplo de um veículo 1.0, cujo valor de mercado é R$ 80.990, em um financiamento com taxa de 1,5% ao mês, durante 36 meses, ele irá custar R$ 103 mil. Somando-se às despesas como manutenção e seguro, o gasto total seria de aproximadamente R$ 119 mil, ao final de três anos.

O mesmo carro, na modalidade por assinatura, em uma locadora de veículos em Belo Horizonte, pode ser alugado, no mesmo período de 36 meses, por R$ 72 mil no total (R$ 2.000 por mês, inclusos gastos com manutenção e seguro do veículo, geralmente oferecidos pela locadora). Desprezando o gasto com gasolina, que será o mesmo para ambos, parece mais vantajoso, certo? Errado.

Ao final de três anos, o carro financiado continua sendo um bem negociável. “Levando em consideração que os carros depreciam 10% ao ano, ele sai de R$ 80 mil para aproximadamente R$ 72 mil no primeiro ano, R$ 65 mil no segundo e R$ 59 mil no terceiro. Quando o dono for vender, mesmo tendo pago R$ 119 mil, ele ainda terá um bem de R$ 59 mil”, calcula. Resumindo, nessa comparação específica, financiar será mais econômico em R$ 12 mil (119 mil – 59 mil = 60 mil gastos, contra 72 mil gastos em aluguel). Inclusive, financiar será vantajoso se a intenção não for trocar de carro a cada três anos.

Por outro lado, se a comparação não for, nas palavras de Azevedo, de “laranja com laranja”, ou seja, idêntica, o aluguel pode ser vantajoso, se for um caso de downgrade (trocar um carro mais caro por um mais barato). Silvio Azevedo explica que, nos casos em que uma pessoa troca um carro que custa, por exemplo, mais de R$ 140 mil, cujos custos com manutenção e seguro podem passar de R$ 18 mil ao ano, por um carro popular, cujo aluguel é R$ 1.600, alugar vira uma situação muito mais econômica.

E se eu quiser só andar de Uber, vale a pena?

No caso de carros de aplicativo, o cálculo precisa ser outro e levar outros detalhes em consideração, como a distância entre casa e trabalho. “O Uber em BH custa R$ 1,64 o km rodado. Pegando por exemplo os R$ 2.000 do aluguel, divididos por 1,64, dão cerca de 1.200 km rodados por mês”, calcula Azevedo. Ele explica que, neste caso, deve-se levar em consideração quantos quilômetros a pessoa gastaria por mês para se deslocar de casa até o trabalho. “Considerando 22 dias trabalhados por mês, para quem vai e volta com até 55 km por dia, o Uber vale a pena”, afirma.

“Financeiramente o Uber é o melhor, mas é menos cômodo. E, aí, a gente tem que ponderar o que é mais importante hoje. Para um solteiro, sem dúvida, um Uber, para um casado, ele tem que avaliar se vai levar a mulher no trabalho, se a mulher vai levar o cara no trabalho, se eles vão ter que ter dois carros, se vão levar filhos para escola. Isso muda muito, e para uma família a comodidade faz muita diferença”, pontua.

A questão do conforto também é uma noção que varia de pessoa para pessoa. “Se você não se importa em esperar um tempinho, se programar para sair um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde, o Uber vai sempre valer a pena”, diz.

E aí, nesse caso, comparando Uber e financiamento, o que vale é olhar a necessidade da família e as condições para o investimento. O especialista explica que, na hora de fazer um financiamento, são vários os itens que precisam ser levados em consideração, pois, no fim, pode ser que continuar andando de carro por aplicativo seja a melhor opção.

O que observar?

  • KM casa-trabalho
  • Economia do veículo com gasolina
  • Custo de estacionamento
  • Valor do IPVA
  • Manutenção
  • Seguro
  • Parcela do financiamento

Aluguel x Uber

Silvio Azevedo lembra que, na hora de alugar, o preço do aluguel também leva em consideração quantos quilômetros o locatário vai trafegar por mês. As locadoras costumam cobrar preços diferentes para o volume de uso do veículo e o locatário contrata um número fixo de quilometragem. “No caso do carro alugado, você ainda paga o excedente por quilometragem que você dirigiu acima do contratado”, observa.

Ele pondera que, na maior parte das vezes, o Uber será mais vantajoso que o aluguel, entretanto, quanto maior a distância, menos vale a pena (porque, no fim, o valor com grandes distâncias vai ficar muito mais caro). E para quem decidiu alugar um veículo, é importante verificar todas as cláusulas do contrato. “Verifique todas as coisas que são cobertas pois o custo de manutenção geralmente é apenas o básico e ainda existe a questão do excedente de quilometragem”, diz.

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