Minas Port inaugurou dois armazéns com capacidade total de estocar 70 milhões de toneladas de soja e milho; Goiás também será beneficiado com a novidade

De olho na capacidade produtiva do agronegócio, principalmente de Minas Gerais e Goiás, o grupo Minas Port inaugurou nesta quinta-feira (4) dois novos galpões de armazenamento com área total de 12,8 mil m² e capacidade de estocar até 70 mil toneladas de grãos – o equivalente a cerca de mil caminhões cheios de milho ou soja. O espaço contou com investimento de R$ 104 milhões e faz parte do Terminal Multicargas (T-MULT) – um dos 11 terminais do Porto do Açu, empresa privada localizada em São João da Barra, no Norte Fluminense (RJ).

Com os novos espaços, a estimativa é que sejam movimentadas 500 mil toneladas de grãos em 2024, número superior às 200 mil toneladas em 2023. Para 2025 a expectativa é ainda mais ousada: 3 milhões de toneladas de grãos. De acordo com Marcelo Marra, CEO do grupo Minas Port, a nova estrutura promete ampliar ainda mais a competitividade para a movimentação destas cargas.

“Uma das maiores dificuldades, principalmente nos portos públicos, são as filas de espera para descarregamento. Só em 2023 foram pagos cerca de R$ 3 bilhões em estadias de navios nos portos de Santos e Paranaguá. Com os armazéns, vamos reduzir o altíssimo custo pago por toda a cadeia”, garante.

Além dos dois galpões, também foi inaugurada uma área de 14 mil m² para armazenamento de diversos produtos – como combustíveis sólidos e alguns tipos de matéria-prima para atendimento às fábricas de cimento e de cal. Marcelo também revela que essa área faz parte de uma nova logística de transportes que será realizada para aumentar a eficiência e reduzir custos para o produtor.

A partir de agora, a frota de caminhões da empresa entrará no porto trazendo os grãos para serem estocados nos galpões e também fará a logística reversa, levando combustível sólido e fertilizantes para serem distribuídos principalmente em Minas e Goiás.

“Serão feitas duas viagens em uma mesma rota, o que vai reduzir o custo do frete para os clientes e aumentar a produtividade via transporte rodoviário. Já os parceiros logísticos contarão com um sistema automatizado para acelerar o processo de carga e descarga, aumentando a eficiência da operação. Estimamos que essa logística vai gerar 20% de economia para quem produz.”

Planos para o futuro

Mal inaugurou os novos espaços no porto e a Minas Port já tem planos futuros para o local. De acordo com Marcelo, o próximo passo da empresa é instalar a primeira misturadora de fertilizantes dentro de um porto no país.

O projeto terá investimentos na casa dos R$ 200 milhões e a expectativa é que as operações iniciem em outubro de 2025 – movimentando 850 milhões de toneladas de fertilizantes por ano.

“Este é um outro problema do agro que vamos procurar solucionar. Atualmente, os insumos chegam aos portos, vão para as fábricas para serem misturados e só depois chegam aos produtores- aumentando muito o custo. Realizando esse processo no porto, vamos entregar um produto com melhor custo-benefício ao consumidor final”, afirma Marcelo.

“Falha da concorrência nos motivou”

Eugenio Figueiredo, CEO do Porto do Açu, conta que não estava nos planos da empresa essa entrada no universo do agro. Porém, a “operação ineficiente” da concorrência fez com que os planos fossem revistos.

“Todos os anos vemos as memas imagens na mídia, da fila de navios esperando para atracar nos portos, o que acaba atrasando as operações e gerando altos custos. Para se ter uma ideia, sai mais caro levar a soja do Mato Grosso para o Porto de Santos do que transportar essa mesma soja do porto para a China. Tudo isso nos motivou a entrar no jogo”, diz.

Segundo ele, o porto agora se mostra como uma alternativa logística mais eficiente para aumentar a competitividade das indústrias e do agronegócio do Sudeste e Centro-Oeste. “A proximidade dos armazéns ao terminal também garante maior eficiência para toda a operação”, diz.

O empresário afirma que há planos para a construção de um terminal exclusivo para grãos no porto, mas ainda sem datas definidas.

“Enxergamos que é algo inevitável, conforme o volume for crescendo ao longo dos próximos anos. Hoje, temos um custo financeiro e de tempo para higienizar o galpão, uma vez que não podemos guardar soja onde estava armazenado outro produto completamente diferente. Ter um terminal dedicado a grãos aumentaria ainda mais a eficácia.”

A entrada no mercado de grãos é promissora não apenas para o agronegócio mineiro e goiano, mas também para incrementar os negócios dentro do terminal. Isso porque, diferentemente dos outros terminais, que operam com apenas um segmento (como petróleo ou minério de ferro), o T-MULT trabalha com diversos produtos. Além dos grãos, briquetes de minério de ferro, lítio e sal recebido por cabotagem também estão nesta lista.

“Em 2023 o T-MULT movimentou 2,1 milhões de toneladas no total, um aumento de 33% em relação a 2022. No ano passado também conquistamos sete novos clientes, totalizando 55 no portfólio”, afirma.

Também há expectativa de que, a partir do próximo ano, o terminal ganhe uma nova área que permitirá dois navios operando simultaneamente, aumentando a movimentação para 2,7 milhões de toneladas ao ano – podendo chegar a 5 milhões futuramente.

Minas é potente, mas ainda há desafios

Não é por acaso que o Porto do Açu também é conhecido como “Porto de Minas Gerais”. Cerca de 60% das movimentações ocorridas no T-MULT são de clientes mineiros. Além disso, o estado é relevante também em outros terminais.

“É aqui que deságua o mineroduto do Sistema Minas Rio, da Anglo American, com mais de 500 quilômetros a partir de Conceição do Mato Dentro, no Médio Espinhaço, cortando 33 municípios até chegar ao porto. São cerca de 26 toneladas de minério por ano”, aponta Eugenio.

Quando o assunto é escoamento por terra, ele afirma que a proximidade com a BR-356 é uma vantagem, mas que “uma conexão ferroviária seria muito importante”.

“Há um projeto avançado para construir uma ferrovia ligando Cariacica, no Espírito Santo, à Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro. O corredor ferroviário está dividido em alguns trechos. Um deles tem 41 quilômetros e será construído pelo próprio Porto do Açu, com investimento já autorizado de R$ 610 milhões, que será capaz de conectar os terminais do complexo portuário a São João da Barra – incluindo ramais internos”, diz.

Já a ponta de cima da malha ferroviária, de Cariacica a Anchieta, será construída pela Vale e tem recursos garantidos com a renovação antecipada do contrato de concessão da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM).

Braço ecológico

Com 130 km² de área no total, o equivalente a uma Ilha de Manhattan (NY) e meia, o Porto do Açu reserva 40 km² deste espaço para a Reserva Caruara – nascida em 2012, dois anos antes do próprio porto começar a operar.

“Inicialmente, pensamos nesta área para instalar o porto. Porém, identificamos a presença da restinga, um ecossistema litorâneo que se desenvolve entre o continente e o mar e que estava bastante degradado. Foi quando decidimos criar a reserva”, relata Caio Cunha, gerente de relações portuárias da Reserva Caruara.

Segundo ele, já foram investidos mais de R$ 30 milhões no local, desde o início do projeto, e foram catalogadas 573 espécies de fauna na reserva. A empresa também cultiva em viveiros cerca de 500 mil mudas por ano de 92 espécies nativas – muitas delas comercializadas para outras empresas.

“Há 1 ano e meio decidimos abrir para visitação, estimulando a educação ambiental. Já recebemos cerca de 30 mil visitantes, principalmente de estudantes em excursões escolares. É um número expressivo, se levarmos em conta que o município de São João da Barra, onde estamos localizados, tem 35 mil habitantes”, diz

Desde o início a reserva também conta com uma parceria com o Projeto Tamar, que executa um programa de monitoramento de tartarugas marinhas – contribuindo para a preservação de diversas espécies.

“Já são mais de 1 milhão de filhotes liberados ao mar. Só neste ano foram 133 mil filhotes saindo dos ovos. As atividades nos portos, incluindo as dragagens, também são pensadas para não impactar na vida destes animais. É possível que exploração econômica e sustentabilidade andem juntas”, garante.

 

 

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