Empreendedores de Ipatinga se reúnem com prefeito para pedir maior flexibilização no comércio

Num primeiro momento, município continua regido por decreto que mantém suspensão de diversas atividades até terça-feira (31). Comitê Gestor de Crise se reunirá no início da próxima semana, acrescido de representantes de empreendedores.

O prefeito de Ipatinga, Nardyello Rocha, recebeu para uma longa reunião que durou desde as 17h até as primeiras horas da noite, nesta quinta-feira (26), comerciantes, profissionais liberais e prestadores de serviços que atuam em diversas regiões do município. Eles foram ao Executivo para ponderar sobre a necessidade de medidas que flexibilizem ainda mais o funcionamento de estabelecimentos mesmo em meio à ameaça de contaminação do novo coronavírus que afeta todo o planeta e leva as autoridades sanitárias a imporem isolamentos sociais a bilhões de pessoas.

Também participaram da reunião a secretária de Saúde, Érica Dias Lopes, e especialistas em infectologia do município. Nardyello fez uma exposição do quadro epidemiológico local, detalhando números da evolução de casos suspeitos de covid-19, desde o surgimento do primeiro registro, em 28 de fevereiro. Ipatinga tem, até essa quinta-feria (26), 944 casos em investigação. E uma das dificuldades de controle mais efetivo, por parte das autoridades locais, é o baixo número de resultados para os exames encaminhados via Superintendência Regional de Saúde aos laboratórios especializados baseados em Belo Horizonte. Essa situação tende a mascarar um eventual agravamento das contaminações, já que os vereditos retornados até o momento são de apenas 54 casos descartados e um confirmado.

De acordo com estudos da Organização Mundial de Saúde (OMS), com base em registros da China, países europeus e outras principais regiões mais epidêmicas da doença, a tendência é que os picos de transmissão ocorram a partir do mês subsequente à ocorrência do primeiro caso. Em Ipatinga, os primeiros trinta dias se completam neste sábado (28).

O prefeito disse sempre considerar em suas decisões, compartilhadas pelos demais membros do Conselho Gestor de Crise do município, “os números científicos e a máxima proteção da população sob a ótica de defesa da saúde pública”. Contudo, observou que “a questão econômica é igualmente pesada na balança e, exatamente por isso, estamos monitorando diariamente a situação. A ideia é que, percebendo a eliminação gradual dos riscos, retornemos à normalidade”, argumentou. Porém, lembrou que no momento está em vigência o decreto municipal 9273/2020, que impõe “restrições incontornáveis e absolutamente necessárias, até a próxima terça-feira (31)”.

A principal decisão da reunião desta quinta-feira (26) foi o anúncio de reavaliação da situação local pelo Conselho Gestor de Crise, na próxima segunda-feira (30), levando em conta também os argumentos e sugestões apresentados pelos setores econômicos. O prefeito fez questão de reafirmar que as medidas relacionadas com a pandemia são sempre tomadas de maneira colegiada, considerando antes de mais nada o comportamento do gráfico epidemiológico. “Compreendemos bem a aflição de muitos empreendedores, trabalhadores, pais e mães de família, e é claro que nunca desprezamos também a questão da sobrevivência econômica”, observou.

Decretos

Em atendimento a recomendações do Ministério da Saúde, os estabelecimentos comerciais se encontram fechados no município desde o último sábado (21), sendo a medida amparada não só em decreto municipal, mas num decreto estadual voltado para a mesma questão, ambos ainda em vigor. No caso local, já há uma flexibilização para que os estabelecimentos funcionem em sistema de delivery. Também estão autorizados a manter suas portas abertas serviços essenciais como supermercados, padarias, postos de combustíveis, drogarias e farmácias.

“Tenho total interesse e desejo de discutir possíveis flexibilizações de maior amplitude, mas tudo depende da evolução dos casos. Todos dependemos do comércio, inclusive a prefeitura. É graças à solidez e estabilidade do segmento, que representa também o pagamento de tributos, que garantimos o funcionamento da máquina administrativa. Estamos comprometidos em propor e ouvir soluções para equilibrar a saúde pública e evitar um colapso econômico”, afirmou.

O prefeito refutou a ideia de um isolamento vertical, “uma vez que a sociedade é composta por um todo. Não existem duas sociedades, uma de idosos e outra do restante da população. Muitos dos idosos moram com filhos e netos, e a tendência é que, mesmo que imaginemos ser possível isolá-los, eles acabem se contaminando por contatos familiares. Além de tudo, mesmo que o presidente da República tenha mencionado esta possibilidade em algumas de suas falas, não há qualquer documento oficial da União neste sentido, o que deixa estados e municípios desautorizados a qualquer ação nesse sentido”, esclareceu o Nardyello.