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Por Bruno Maffi
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07/11/2026 às 10:14
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No semiárido do sul do Piauí, um poço perfurado há mais de cinco décadas chama a atenção pelo volume de água que brota continuamente do subsolo. Localizado em Alvorada do Gurguéia, o Poço Violeto foi aberto em 1973 pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, atual Serviço Geológico do Brasil (SGB), durante trabalhos de pesquisa na região.
Segundo a prefeitura, ele é reconhecido como o maior poço de água mineral do Brasil e o segundo maior do mundo. Dados do Serviço Geológico do Brasil apontam uma vazão de aproximadamente 1 milhão de litros por hora no Poço Violeto. Isso equivale a cerca de 16,7 mil litros por minuto.
A água chega à superfície sem a necessidade de bombas, impulsionada pela pressão natural do aquífero subterrâneo. A estrutura tem duas perfurações. Uma delas alcança 1 mil metros de profundidade, enquanto a segunda chega a 780 metros.
“Nasci e me criei aqui, e o Poço Violeto faz parte da minha vida. Ele é uma das maiores riquezas da nossa região”, diz orgulhoso Antonio José Cruz, de 51 anos, proprietário de um empreendimento turístico e das terras ao redor do poço.
Pressão subterrânea impulsiona jato de água a mais de 30 metros
Geólogo e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Marcos Nascimento explica que o Poço Violeto funciona como um reservatório subterrâneo de água sob pressão. “A água fica armazenada em rochas areníticas permeáveis e confinada por camadas menos permeáveis, o que permite o acúmulo de pressão ao longo do percurso subterrâneo".
O geólogo complementa que, quando o poço atravessa essas camadas, a pressão hidráulica do aquífero impulsiona a água naturalmente até a superfície, sem a necessidade de bombas.
Nascimento usa uma comparação simples para explicar a força do fenômeno natural. “É como abrir uma pequena ‘torneira’ em uma enorme caixa-d’água subterrânea. Por isso, o jorro pode ultrapassar 30 metros de altura, revelando a força da água armazenada nas rochas e fazendo do Poço Violeto um exemplo espetacular de artesianismo no Piauí".
Força da vazão do Poço Violeto atrai turistas de vários países
Além de uma pousada e de área para camping, um restaurante e uma piscina com as águas do poço atendem aos visitantes. O genro de Cruz, Valmir Paixão Silva, compartilha a gerência dos empreendimentos.
Segundo ele, o nome do poço está relacionado a uma árvore cuja madeira era encontrada em abundância na região. “A madeira tem a cor roxa, é muito usada para mesas, cadeiras, portas. Nesse lugar tinha muita dessas árvores, de pau-violeta”, conta Silva.
A referência é à espécie Dalbergia cearensis, o jacarandá-violeta, árvore nativa do Brasil conhecida pela tonalidade roxa de sua madeira. Silva explica que as terras da família ficam no entorno do poço, enquanto uma área de 50 metros quadrados pertence ao governo.
A proximidade com o atrativo permite acompanhar o movimento de visitantes de diferentes regiões e países. “Vêm pessoas de outros países, como Argentina e Espanha. Alguns usam a pousada aqui da região, outros acampam”, relata.
A culinária regional também atrai clientes ao restaurante. “Aqui o peixe tambaqui e a carne de sol são as maiores procuras”, afirma Silva. “Fizeram reformas, calçamento até a BR-135, trocaram iluminação há pouco tempo, estamos avançando”, acrescenta.
Vale do Gurguéia concentra aquíferos com grande potencial hídrico
O Poço Violeto integra uma região com grande disponibilidade de água subterrânea. De acordo com o IBGE, o vale é considerado uma zona estratégica para a produção de água subterrânea no Piauí devido ao potencial dos aquíferos Cabeças e Serra Grande.
Essas formações apresentam níveis relativamente rasos em determinados pontos, água de boa qualidade e vazões elevadas. A água dos poços tem origem na Bacia Sedimentar do Rio Parnaíba, apontada como a terceira maior reserva de água subterrânea do Brasil.
A pressão natural do aquífero permite que o recurso chegue à superfície sem bombeamento e mantenha o fluxo contínuo. Apesar da disponibilidade hídrica, o aproveitamento da água permanece limitado.
Estimativas indicam que apenas 10% do volume que jorra dos poços é utilizado na agricultura e na irrigação. A Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semar) monitora os poços.
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Fonte: Gazeta Brasil


