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The Economist afirma que mercado tem razões para estar consternado com eleição de Lula

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Por Roberta Ribeiro

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01/11/2026 às 17:49

01/11/2026 às 17:49

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A revista britânica The Economist endossou a reação do mercado após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela Presidência da República. A publicação, referência econômica mundial, afirma que paira sobre Lula a pressão para evitar uma recessão e que sua vitória se transformará em "cinzas", se ele intensificar as políticas atuais.

Segundo a publicação, enquanto os eleitores petistas estão “exultantes”, outros estão assustados, como os investidores que estão fugindo do Brasil. A revista cita o recuo de 8% no valor do real frente ao dólar no dia seguinte ao resultado da eleição — a pior queda em um único dia em mais de 25 anos. 

Também elenca a baixa de 14% no índice da B3, o Ibovespa, após o acionamento de um circuit breaker [mecanismo que interrompe os pregões em quedas bruscas] durante a queda.

“Se Lula deseja elevar a condição dos brasileiros pobres, evitar uma crise e proteger seu legado, seus últimos quatro anos de mandato terão de ser bem diferentes dos quatro anteriores. Isso começa com ele convencendo os investidores de que pretende mudar de rumo", afirma a revista.

Um dos pontos abordados é que o mercado apostava na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), porque confiava mais nele do que em Lula. A Economist explica que gastos desenfreados nos últimos anos, inclusive neste governo do PT, elevaram a taxa real de juros a 9%. Nesse cenário, a parcela do PIB que o país paga em juros sobre a sua dívida é maior do que a paga pela maioria das outras nações, com exceção de um pequeno grupo de grandes economias.

De acordo com a revista, tudo isso pesa sobre o investimento, além de comprimir as empresas e as famílias e reprimir o crescimento. “Embora o Brasil disponha de recursos naturais — incluindo petróleo, extensas áreas agrícolas e grandes reservas de minerais críticos —, ele tem crescido, há décadas, a um ritmo mais lento do que seus pares", descreve.

Na visão da Economist, é fundamental que o governo corte gastos para que “as coisas voltem a funcionar”. A gestão petista tem um déficit orçamentário superior a 9% do PIB e, de acordo com o FMI, a dívida pública chegará a 97% do PIB em 2026, uma alta de 13 pontos percentuais na comparação com os 84% em 2022, antes de Lula assumir a presidência pela terceira vez. 

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O discurso de campanha lulista, contudo, não contemplou a disciplina fiscal e, pelo contrário, prometeu novos subsídios e benefícios. O cálculo apresentado pela publicação é de que as novas políticas sociais que Lula apresentou podem custar cerca de 2% do PIB até 2027. 

Na avaliação da Economist, o presidente reeleito necessita do mesmo vigor demonstrado na campanha para indicar um nome no qual o mercado confie para o Ministério da Fazenda. Em seguida, apresentar um plano factível para uma reforma fiscal. Nenhuma das decisões será fácil, pontua.

“No entanto, se o presidente reeleito do Brasil acreditar que sua vitória eleitoral é um pretexto para intensificar as políticas que derrubaram Flávio, ele provocará uma crise fiscal e uma recessão profunda. Sua vitória, que parecia gloriosa, acabará virando cinzas", conclui a publicação.

Nas redes, Gleisi critica “ofensiva terrorista sobre a política fiscal”

Na contramão do que afirma a Economist sobre o Brasil, a deputada federal Gleisi Hoffmann se manifestou contra o que chama de “ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira".

Em publicação deste domingo (1º) em seu perfil no X, Hoffmann reproduziu trecho de um texto do economista André Lara Resende, um dos criadores do plano real, no qual ele acusa o Banco Central de sustentar a alta da taxa de juros.

No texto, o economista também acusa a imprensa de “repetir, sem exame, que o problema está no gasto primário, quando está nos juros”, e os analistas do mercado financeiro de confundir o interesse dos rentistas com a racionalidade econômica.

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Fonte: Gazeta Economia

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