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Alexandre Garcia
Por Gazeta do Povo Lab
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Por Camila Abrão
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30/10/2026 às 00:12
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A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entregou ao STF nesta quinta-feira (29) um laudo pericial que questiona a integridade das provas obtidas em seu iPhone. O documento sugere que arquivos foram criados e alterados enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal, o que pode beneficiar o ministro Alexandre de Moraes ao invalidar registros de mensagens enviadas a ele.
Quais são as supostas irregularidades encontradas no celular de Daniel Vorcaro?
O perito da defesa afirma que, embora o iPhone 17 Pro tenha sido apreendido na noite de 17 de novembro de 2025, centenas de novos arquivos surgiram no aparelho a partir do dia seguinte. O laudo aponta a criação de 436 novos itens, incluindo 94 imagens em formato específico da Apple, além da alteração de metadados de outros 657 arquivos. Embora o perito não tenha tido acesso aos dados brutos para confirmar uma intervenção humana direta, ele argumenta que essas mudanças não podem ser ignoradas ou classificadas como automáticas sem uma justificativa técnica documentada pela Polícia Federal.
Como essas novas informações periciais podem favorecer o ministro Alexandre de Moraes?
Recentemente, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório policial que indicava o envio de 52 mensagens de Vorcaro para Moraes, utilizando técnicas para esconder os rastros, como o uso de imagens de visualização única no WhatsApp. O ministro Moraes negou ter recebido tais comunicações e criticou a investigação. Se o laudo da defesa provar que o celular foi manipulado após a apreensão, todas as mensagens encontradas perdem o valor jurídico. Isso retiraria do processo a principal prova que ligaria o ex-banqueiro ao ministro, esvaziando as suspeitas levantadas.
O que significa o princípio do fruto da árvore envenenada citado pelos advogados?
Este é um conceito do Direito usado para garantir que ninguém seja punido com base em provas ilegais. Imagine que uma investigação é uma árvore: se a raiz (a prova principal, como o acesso ao celular) estiver 'envenenada' por uma ilegalidade ou manipulação, todos os frutos (as mensagens e descobertas derivadas) também ficam contaminados e não podem ser usados pelo juiz. A defesa de Vorcaro usa esse argumento para tentar anular toda a Operação Compliance Zero, mencionando que o mesmo princípio foi aplicado em casos famosos, como na anulação de condenações da Operação Lava Jato.
Quais são os próximos pedidos da defesa ao Supremo Tribunal Federal?
Os advogados Sérgio Leonardo e Engels Muniz solicitaram ao ministro Edson Fachin, atual presidente do STF, o acesso imediato aos dados brutos extraídos do iPhone, alegando que os relatórios sintetizados pela PF podem ser editados sem deixar alertas de integridade. Além de buscarem a paridade de armas, que é o direito de ter as mesmas ferramentas de análise que a acusação, eles pedem a soltura de Vorcaro. A defesa sustenta que não é justo manter o empresário preso preventivamente enquanto pairam dúvidas tão graves sobre a principal evidência que sustenta as acusações no processo.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Fonte: Gazeta Política


