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María Corina confronta Delcy após promessa de eleições: “O sistema de repressão segue no poder”

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Por John Lucas

Por John Lucas

29/10/2026 às 22:49

29/10/2026 às 22:49

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A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou nesta quinta-feira (29) que o aparato de repressão do chavismo continua funcionando na Venezuela, apesar das reformas prometidas pela líder interina Delcy Rodríguez. A declaração ocorreu durante sua primeira entrevista coletiva desde o retorno ao país, poucas horas depois de Delcy prometer novas eleições, mudanças no sistema judicial e garantias contra prisões arbitrárias.

"O sistema de repressão que obrigou milhares de venezuelanos a se esconder, que sequestrou milhares de cidadãos, que torturou e assassinou, segue no poder", afirmou María Corina, em entrevista realizada na Universidade Católica Andrés Bello, em Caracas.

A dirigente reconheceu que houve mudanças desde a captura de Nicolás Maduro por forças americanas, em janeiro, mas alertou que integrantes do regime chavista ainda controlam instituições e possuem capacidade de retaliar contra opositores. Para ela, o desmonte dessa estrutura e a libertação dos presos políticos devem ser prioridades da transição democrática.

"Claramente foram dados passos importantes. Eu não estaria aqui hoje se isso não tivesse acontecido, mas essas pessoas continuam lá, e sua capacidade de retaliação continua sendo uma preocupação para a comunidade venezuelana", declarou.

María Corina também questionou a capacidade de Delcy de conduzir as reformas anunciadas nesta quinta-feira, lembrando que a atual líder ocupou diversos cargos durante os regimes de Hugo Chávez e Nicolás Maduro.

"A senhora Delcy Rodríguez diz que vai reconstruir as instituições, a Justiça, a confiança, a harmonia, a paz. É sério?", questionou.

A opositora acusou os integrantes do chavismo de terem contribuído para a destruição das instituições democráticas no país e para o êxodo de milhões de venezuelanos. Segundo ela, os responsáveis pelos abusos cometidos nas últimas décadas não podem conduzir as mudanças sem prestar contas à população.

"Os venezuelanos já sabemos quem é quem, sabemos o que queremos e o que não queremos", acrescentou.

María Corina defende eleições presidenciais em 2027

A entrevista ocorreu poucas horas depois de Delcy anunciar, em pronunciamento à nação, que a Venezuela realizará eleições organizadas por um Conselho Nacional Eleitoral (CNE) renovado e com fiscalização internacional.

"Haverá eleições, todas as que determina nossa Constituição, organizadas por uma autoridade eleitoral renovada e com o mundo como testemunha", declarou a líder interina. Delcy, no entanto, não estabeleceu uma data para a votação.

María Corina, por sua vez, afirmou estar convencida de que as eleições presidenciais ocorrerão em 2027, conforme a proposta de transição apresentada pelo governo americano após a captura de Maduro.

A líder opositora mencionou o plano de três etapas defendido pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, que prevê estabilização política, recuperação econômica e transição democrática na Venezuela.

"A transição democrática é irreversível", afirmou María Corina, ao defender que o processo seja conduzido de maneira pacífica e que as instituições sejam reformadas antes da votação.

A líder opositora também pediu uma renovação do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), a libertação de todos os presos políticos e a criação de mecanismos para responsabilizar integrantes do chavismo acusados de violações de direitos humanos.

Segundo ela, um futuro governo deverá instalar uma comissão da verdade, composta por especialistas independentes, para investigar os abusos cometidos durante o regime chavista e estabelecer mecanismos de reparação às vítimas.

"O país precisa de justiça, não de impunidade", declarou.

Opositora nega contato com Delcy e agradece a Trump

Durante a entrevista, María Corina afirmou que não recebeu nenhum convite de Delcy ou do governo americano para participar de conversas.

"Não recebi nenhuma mensagem dos Estados Unidos nem da senhora Rodríguez", respondeu, ao ser questionada sobre um possível encontro a líder chavista.

Apesar disso, a opositora disse apoiar o andamento das negociações entre o regime chavista e representantes da Assembleia Nacional eleita em 2015, liderada por opositores. O grupo político de María Corina não integra as negociações que estão em curso.

"Não fazemos parte dessa mesa e não apenas não a obstaculizamos, como estamos muito interessados em que cumpra seu objetivo", afirmou.

A opositora também agradeceu ao presidente Donald Trump e ao secretário Marco Rubio pela operação militar americana de 3 de janeiro, que resultou na captura do ditador Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Segundo María Corina, a ação abriu caminho para que os venezuelanos recuperassem suas liberdades e permitiu o avanço das negociações políticas.

O retorno de María Corina à Venezuela ocorreu no domingo (25), depois de aproximadamente dez meses fora do país. A chegada da líder opositora ao país foi acompanhada por manifestações de apoiadores em diferentes cidades, que pediram eleições e o fim das restrições políticas.

María Corina afirmou que pretende percorrer o território venezuelano nas próximas semanas para reorganizar os movimentos de oposição e preparar a participação da população no processo eleitoral. Ela também anunciou que trabalhará para ampliar o registro de venezuelanos que vivem no exterior e poderão votar nas próximas eleições.

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Fonte: Gazeta Mundo

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