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Por Camila Abrão
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11/10/2026 às 18:36
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O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apresentou neste domingo (11) uma notícia-crime contra o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por suposto uso da estrutura da corporação para beneficiar o PT, partido do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva.
A defesa de Flávio pediu que Rodrigues seja investigado por anunciar uma apuração sobre a suposta interferência dos Estados Unidos nas eleições de 2026 no dia do primeiro turno das eleições.
“Recebemos representação da AGU [Advocacia-Geral da União] sugerindo apuração de interferência externa. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração. É uma investigação em andamento, um procedimento prévio. Não foi publicada a portaria do inquérito, mas já temos uma investigação em curso”, disse Rodrigues durante uma entrevista coletiva no Centro Integrado de Comando e Controle Nacional na ocasião.
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No mesmo dia, no entanto, Rodrigues afirmou que não havia "nenhum indicativo concreto de interferência internacional". Em 7 de outubro, a PF arquivou a apuração preliminar. Os advogados do senador destacam que a legislação proíbe o uso de serviços ou dependências de repartições públicas para favorecer organizações políticas.
Eles argumentam que o anúncio oficial no dia do pleito, veiculado amplamente pela imprensa, gerou impacto político à sua candidatura sem qualquer lastro probatório. Para a defesa, Rodrigues “levou essa narrativa ao eleitor, em coletiva oficial, no dia da votação, com evidente aptidão para influenciar a opinião do eleitorado contra o Noticiante [Flávio]”.
"Se não havia o que apurar, restava apenas o que divulgar. E a divulgação, no dia do primeiro turno, só aproveitava a um partido: o Partido dos Trabalhadores", diz um trecho da notícia-crime.
Os advogados ressaltaram a linha do tempo que culminou no anúncio do chefe da PF. No dia 1º de outubro, a Advocacia-Geral da União (AGU) protocolou a representação, com base em uma reportagem do jornal britânico The Guardian.
A reportagem mencionava que o Departamento de Estado norte-americano debatia a alocação de US$ 1 milhão para um programa sobre o Brasil, ressaltando expressamente que a medida ainda estava em deliberação e sem repasse efetivo de verbas.
No dia 4 de outubro, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, declarou que a Justiça Eleitoral não recebeu nenhum indicativo concreto de interferência internacional no pleito.
Além disso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou o pedido da AGU por falta de elementos mínimos de prova. Em 7 de outubro, a própria PF arquivou o procedimento prévio por ausência de justa causa, após despachos da Diretoria de Inteligência Policial e da Corregedoria-Geral.
A Gazeta do Povo procurou Andrei Rodrigues por meio da assessoria de imprensa da Polícia Federal, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.
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Fonte: Gazeta Política


