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Eleitor vai às urnas com espírito de mudança e foco inédito no Senado

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Por Rafael Fantin

Por Rafael Fantin

04/10/2026 às 11:19

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O Brasil define neste domingo (4) quais serão os 54 eleitos ao Senado, na eleição que é considerada o mais importante da história da democracia nacional até aqui. A prerrogativa constitucional da Casa Alta de avalizar ou rejeitar os indicados pelo presidente da República ao Supremo Tribunal Federal (STF) e de abrir processos de impeachment contra os ministros da Corte elevou o status da disputa regional pelo Senado.

O cientista político Elias Tavares lembra que a direita saiu à frente da esquerda ao colocar o Senado como uma das prioridades da campanha há quatro anos, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) então tentava a reeleição, movimento que foi ampliado neste ano devido à crise no STF.

“O ano de 2018 inaugurou um ciclo, mas foi em 2022 que a direita se consolidou e percebeu que não basta conquistar o Executivo, que é preciso também construir um poder institucional dentro do Congresso”, avalia. Hoje, a bancada do PL é a maior do Senado, com 15 parlamentares.

Apesar da derrota de Bolsonaro há quatro anos, Tavares ressalta que o grupo político avançou no Senado com a vitória de candidatos do PL e de outros nomes alinhados à direita conservadora, como Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Teresa Cristina (PP-MS) e Damares Alves (Republicanos-DF).

Como o mandato de senador é de oito anos, os candidatos eleitos neste domingo passam a fazer parte da nova configuração do Senado, ao lado do grupo que foi eleito em 2022. Para Juliana Fratini, doutora em Ciência Política, o eleitorado percebeu a relevância do Senado a partir do momento em que as prerrogativas relacionadas ao STF ganharam força no debate público e, consequentemente, no processo eleitoral.

“O que chama a atenção do público e do eleitor é a participação importante que um senador tem para a abertura de impeachment de ministros do Supremo. O cidadão começou a entender que o Senado é importante na estratégia geral”, pontua a cientista política.

Além disso, Fratini lembra que a referência que o brasileiro tinha sobre impeachment estava relacionada aos processos que cassaram os mandatos dos ex-presidentes Fernando Collor e da petista Dilma Rousseff. “Como a cobrança sobre o STF ficou muito grande no país, as pessoas começaram a discutir como se abre esse processo contra os ministros da Corte e qual é o papel do Senado, fortalecendo a disputa pelas cadeiras de senador”, comenta ela.

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Neste ano, o protagonismo nacional nas eleições ao Senado também ocorre devido às conexões suspeitas de ministros do STF com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master. A renovação dos parlamentares pode levar a Casa a uma maioria pró-impeachment e fortalecer a oposição contra o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que tem barrado a votação de processos contra os ministros do Supremo.

“A escalada dessa crise colocou o STF no epicentro e uma nova configuração do Senado mais à direita deve tentar colocar alguns freios no Supremo. É evidente que o presidente do Senado, que decidiu não abrir o impeachment dos ministros da Corte, será colocado em xeque em uma nova disputa pela liderança da Casa”, projeta Elias Tavares, ao citar a eleição pela presidência do Senado no próximo mês de fevereiro, no início da nova legislatura.

“As eleições deste domingo vão sacudir esse tabuleiro, principalmente se a direita, com essa estratégia de avançar no Senado, conseguir eleger os seus candidatos”, completa Tavares.

A crise também arrastou o Senado para o epicentro do escândalo do Banco Master. A cientista política Juliana Fratini lembra que candidatos à reeleição foram alvos das operações Compliance Zero e que Alcolumbre passou a ser suspeito após troca de mensagens com Vorcaro, divulgadas pela imprensa.

Em nota, o presidente do Senado classifica as informações como “sensacionalismo barato, movido por interesses ilegítimos” e afirma que não existem ilegalidades nas mensagens de teor pessoal.

“Ao mesmo tempo em que a Casa pode abrir pedidos de impeachment para os ministros do STF, parte desses senadores também está envolvida no mesmo escândalo. Como é que a Casa vai abrir impeachment contra um ministro do Supremo ao mesmo tempo em que tem senadores também envolvidos?”, questiona Fratini.

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Na análise do cientista político Elias Tavares, as candidaturas favoráveis ao impeachment de ministros do STF foram potencializadas e exigiram uma reação da esquerda, com o presidente Lula (PT) colocando aliados de peso nas disputas estaduais.

“A direita transformou o Senado em prioridade estratégica e a esquerda veio a reboque”, resume Tavares, ao lembrar das articulações que definiram as candidaturas das ex-ministras Gleisi Hoffmann (PT-PR), Simone Tebet (PSB-SP), Marina Silva (Rede-SP) e do ex-presidente do Sebrae Décio Lima (PT-SC).

“Não é uma movimentação eleitoral isolada, é uma reação política. A esquerda percebeu que, com as 54 cadeiras em disputa, precisa conter o avanço da direita. Se há quatro anos a disputa fosse de dois terços do Senado, muito provavelmente hoje o país teria uma oposição dominante na Casa”, completa.

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Fonte: Gazeta Brasil

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