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Jornalista de ciência e ambiente, autor de “A Ciência Encantada de Jurema" (ed. Fósforo)

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Ciências e jornalismo cultuam uma ética partidária de fatos, contexto e verificação

Diante de narrativas fascistas e genocidas, gente de bem se obriga a abjurar o mal

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Domingo, 4 de outubro de 2026, dia de ir à missa do galo republicano e comungar com demais cidadãos na vigília para renovar o voto que vos possibilita suportar uns aos outros pelos 1.460 dias da nova legislatura. A celebração da democracia, com certa ironia amarga.

Esta coluna se dirige a vós, correligionários nascidos entre 1950 e 1960, digamos. Vós que estudastes em colégios da zona oeste paulistana, flertastes com revolucionários ou reformistas do movimento estudantil na USP ou na Unicamp, depois tucanastes em algum grau e hoje cogitais eleger um fascista.

Quem vos fala, "cum ira et studio", é um jornalista ateu. Alguém que abomina o crucifixo no STF, seus ministros terrivelmente maquiavélicos ou evangélicos, o chute na santa e a bolinação eleitoreira com ela, além do carimbo de fake news no apito de cachorro candidato à Presidência —à Presidência, cacete!— na promessa de que o Brasil será decretado de vosso senhor Jesus.

Antes de ateu, jornalista, para quem os fatos contam. Não ingênuo a ponto de desconsiderar que a seleção, o enquadramento e as versões também importam, como aprendido em cinco décadas de Redação, mas sem renunciar a separar o joio do trigo que seja plausível, documentado, verificável. Daí a queda pelo jornalismo de ciência, comendo brioches que o ceticismo amassou.

Como escreveu João Moreira Salles na revista piauí, não vos assiste o direito de prevaricar com fatos que bem conheceis. Muito menos para sustentar adoração aos bezerros de ouro do ajuste fiscal, das privatizações, da desregulamentação do pouco que ainda detém a captura final do Estado por vossos irmãos de fé e compadres milicianos. Aos fatos:

O batismo pelo bispo que bota para escanteio a padroeira do Brasil (algo que poderia ser até tolerado por aqueles entre nós que veneram o Estado laico e abominam o farisaísmo, porém não em nome da supremacia branca crente). A medalhinha de Tiradentes a Adriano. As "rachadinhas" do Queiroz. O voto pelo torturador Ustra. As tarifas do sabujo 02 de Rubio. O irmãozão pedinte do Master.

Quem dentre vós levantou testemunho, nos banquetes dos Jardins, contra os kids pretos e seus cordeiros de resultados no 8 de janeiro? Contra o massacre de inocentes na pandemia de Covid? Contra as bênçãos às Emendas Pix e a entronização das bets com Temer e Bolsonaro? Contra a bendita letalidade policial sob vosso adorado Tarcísio ajoelhado aos pés de Derrite?

Conheceis a verdade, segundo João, e ela não vos libertará da responsabilidade histórica: Flávio Rocha; Marcelo Kayath; André Esteves; Eduardo Bartolomeo; Eduardo Fischer; David Feffer; Roberto Campos Neto; Fernando Marques; Rubens Ometto; Emmanuel Hermann; Paulo Skaf; Luiz Carlos Trabuco; Fábio Barbosa; Alexandre Ostrowiecki; Mario Araripe; Milton Maluhy Filho; Helio Seibel; Christian Egan; Roberto Dagnoni; Pedro Parente; Daniel Goldberg; Fábio Ermírio de Moraes; Fabio Carvalho; Richard Gerdau; Gilson Finkelsztain; José Galló; Fernando Simões; João Camargo.

Não seria nada católico pregar vossos nomes de vendedores de indulgências golpistas nas portas da basílica, mas seria poético. Imparcial, objetiva, pluralista, apartidária, independente, cientificamente poético.

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Fonte: Saúde Brasil

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