Receba notícias por email
Banco Master
Banco Central
Por Tiago Cordeiro, especial para a Gazeta do Povo
Por Tiago Cordeiro, especial para a Gazeta do Povo
30/09/2026 às 17:50
30/09/2026 às 17:50
Dê de presente
Prefira a Gazeta no Google
Ouça este conteúdo
Depois de proibir as bets no Brasil por medida provisória assinada a nove dias das eleições, o governo federal, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), ajuizou uma ação contra 17 operadoras de apostas online. A União pede pelo menos R$ 1 bilhão por danos morais coletivos, além do ressarcimento de gastos do SUS relacionados ao tratamento de problemas associados ao vício em apostas.
Para fontes ouvidas pela Gazeta do Povo, a proibição imediata das atividades de apostas online denota uma mudança radical nas regras preestabelecidas para a operação das empresas e gera insegurança jurídica para todos os demais setores da economia.
Independentemente das controvérsias envolvendo as bets, as empresas autorizadas pelo governo seguiram a regulamentação definida em 2023, pagaram R$ 30 milhões pela outorga e arrecadaram cerca de R$ 15,3 bilhões em impostos desde o início de 2025.
“As empresas pertencem a grandes grupos que investem em outras atividades e têm capital aberto em diferentes mercados globais. A partir do momento em que o governo proíbe as atividades de um setor inteiro, sem debate público, sem passar pelo Congresso, e ainda processa as companhias, o recado é claro: o país não é seguro para os negócios”, afirma José Frederico Manssur, sócio do escritório Natal & Manssur Advogados.
O advogado analisa que o impacto da decisão deve afetar diferentes áreas, incluindo esportes, eventos, mídia e turismo. “Mesmo que a MP não seja aprovada no Congresso, ou o STF decida suspender a medida, o estrago já está feito. E ele não afeta um governo específico. Prejudica a imagem de todo o Brasil”.
O recado aos investidores é bastante negativo, avalia Maria Eduarda Vargas, presidente do Instituto Atlantos. “Quando o Estado estabelece regras, atrai investimentos e depois restringe abruptamente um setor inteiro por meio de Medida Provisória, sinaliza ao investidor internacional que as condições podem mudar no meio do jogo”, diz ela.
“Problemas e abusos devem ser enfrentados com fiscalização e responsabilização, não com a inviabilização de uma atividade econômica regulada”, prossegue.
VEJA TAMBÉM:
Em desespero eleitoral, Lula parte para o vale-tudo com pacote bilionário
Após proibir bets, governo Lula diz que não devolverá outorgas pagas pelas empresas
Empresas podem recorrer à Justiça contra o governo
A mudança abrupta também pode abrir uma nova frente de disputas judiciais, com empresas buscando ressarcimento pelos valores investidos no país.
“Com base no marco legal e nas autorizações concedidas pelo próprio Estado, empresas nacionais e estrangeiras investiram bilhões de reais no país e podem recorrer à Justiça. Se o Governo decidir simplesmente extinguir esse mercado, a União ficará exposta a ações indenizatórias bilionárias envolvendo investimentos realizados, contratos celebrados, lucros cessantes e custos de desmobilização”, declarou à Gazeta do Povo o advogado Luiz Felipe Maia, sócio do escritório MyLaw.
A própria MP 1.394, editada pela gestão Lula, prevê essa contestação e antecipa que não devolverá as taxas de outorga pagas pelas empresas para operar no país por cinco anos. A justificativa é que “a extinção decorre de motivo de interesse público”.
VEJA TAMBÉM:
Lula aumenta insegurança jurídica brasileira com decisão sobre bets
Mudança abrupta aumenta insegurança jurídica no país
Como argumenta o Instituto Brasileiro do Jogo Responsável (IBJR), a proibição abrupta das atividades gera deterioração da confiança no ambiente de negócios, já que as empresas do setor fizeram investimentos, pagaram impostos e contrataram funcionários.
Além disso, “frustra os direitos adquiridos das operadoras que, de boa-fé, acreditaram nas promessas regulatórias do Estado”, como menciona no documento que a entidade encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a suspensão urgente da MP do governo.
O impacto da medida vai além do setor de apostas e gera risco de afastar investimentos estrangeiros de longo prazo em múltiplos setores. Em 2024, por exemplo, a Flutter Entertainment, companhia listada nas bolsas de Nova York e Londres, havia investido cerca de US$ 350 milhões para adquirir 56% do grupo brasileiro NSX, proprietário da Betnacional.
No primeiro dia útil após o anúncio da Medida Provisória, com as ações em queda no mercado americano, a Flutter se declarou “extremamente decepcionada com esse desdobramento” e informou que analisa “todas as opções disponíveis, incluindo a possibilidade de recorrer”.
Para a presidente do Instituto Atlantos, empreender significa assumir riscos de mercado, mas o que não deveria integrar esse risco é descobrir, depois de investir, contratar e cumprir as exigências regulatórias, que o próprio Estado decidiu mudar radicalmente as condições do jogo. “O empreendedor aceita o risco de empreender. O que ele não pode aceitar é que investir no Brasil também seja uma aposta sobre qual será a regra de amanhã”, declara.
VEJA TAMBÉM:
O custo real das apostas online no orçamento das famílias brasileiras
Insegurança jurídica: como o autoritarismo do STF prejudica a economia
Deixe sua opinião
Encontrou algo errado na matéria?
Comunique erros
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Principais Manchetes
Ofensiva de Lula contra bets em campanha eleitoral mergulha país em insegurança jurídica
Kassio e Toffoli seguem Mendonça; Cueva diverge em parte sobre posts de Nossa Senhora Aparecida
Decisão de Dino tenta manter crise envolvendo Nossa Senhora Aparecida em debate perto da eleição
As 10 principais apostas do PT para a Câmara dos Deputados
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
Fonte: Gazeta Economia


