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Por Célio Yano
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24/09/2026 às 21:00
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Em uma crítica direta ao presidente Lula (PT), o mandatário argentino Javier Milei compartilhou na terça-feira (22) um gráfico que mostra o aumento do déficit fiscal do Brasil — quando as despesas do setor público superam suas receitas — em proporção do PIB nos últimos anos.
Conforme o quadro, o Brasil apresenta resultado negativo desde 2011, mas vem piorando as contas públicas desde 2022, quando saiu de um déficit de 4% do PIB, até o ano passado, quando atingiu 8,1%. Para 2026, é projetado um resultado de -9,9%.
O déficit recorde no período ilustrado foi 2020, quando houve enorme expansão fiscal em todo o mundo em razão da pandemia de Covid-19. Com exceção desse ano, os números vinham caminhando para o equilíbrio desde 2016, após o governo Dilma Rousseff (PT).
A fonte dos dados é a consultoria Econométrica, com base em números do Tesouro Nacional e do Banco Central.
“Os progressistas locais (esquerdistas) querem apresentar essa política fiscal como o modelo a seguir. NÃO, OBRIGADO. Nunca contem comigo para esse absurdo. Tivemos uma situação semelhante em 2001 e todos sabemos como terminou”, escreveu Milei no X.
A publicação foi feita horas antes do discurso de Lula que abriu a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, onde ambos os presidentes estiveram presentes.
O que o gráfico de Milei realmente mede
O gráfico ilustra o aumento do gasto público no atual governo, embora o indicador utilizado não seja o adotado oficialmente para cálculo de resultado primário. Os números exibidos por Milei referem-se ao chamado resultado fiscal nominal em relação ao PIB.
Nesse indicador, considera-se todo o setor público, incluindo União, estados, municípios e empresas públicas (com exceção da Petrobras e Eletrobras), além de incluir os pagamentos líquidos de juros da dívida pública – no resultado primário, excluem-se os juros.
A diferença é relevante porque ajuda a revelar também como o Brasil gasta com o crescimento da dívida, tanto em razão de seu montante quanto das altas taxas de juros.
Além disso, traz uma comparação implícita importante: diferentemente do Brasil, a Argentina deixou de ter déficit em seu resultado fiscal nominal desde 2024.
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O governo de Javier Milei, que assumiu em dezembro de 2023, trabalha com um orçamento público que busca ativamente superávits primários grandes o suficiente para pagar os juros da dívida pública e ainda fechar as contas no azul.
Em 2024, o resultado fiscal nominal foi positivo em 0,3% do PIB, e o superávit primário, de 1,8% do PIB. Já em 2025, os números foram de 0,2% e 1,4%, respectivamente, segundo dados do Ministério da Economia da Argentina.
A referência a 2001 na publicação de Milei lembra o ano que ficou marcado com o símbolo da maior crise econômica da história argentina, que ele associa com o quadro de déficits fiscais persistentes que fizeram disparar a dívida pública do país.
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Fonte: Gazeta Economia


