InternacionalItália aprova plano de Meloni para retomar energia nuclear após quase 40...

Itália aprova plano de Meloni para retomar energia nuclear após quase 40 anos

Receba notícias por email

América Latina

Guerra EUA x Irã

Por John Lucas

Por John Lucas

24/09/2026 às 00:24

24/09/2026 às 00:24

Dê de presente

Prefira a Gazeta no Google

Ouça este conteúdo

O Parlamento da Itália aprovou nesta quarta-feira (23), em Roma, o plano do governo da primeira-ministra Giorgia Meloni para permitir a retomada da produção de energia nuclear no país quase quatro décadas depois do fechamento das antigas usinas. O texto recebeu a aprovação definitiva do Senado por 81 votos a 51, com sete abstenções, e autoriza o governo a criar as regras necessárias para a construção e operação de novos reatores. A iniciativa é defendida pelo Executivo como uma forma de reduzir a dependência energética do exterior, ampliar a oferta de eletricidade e diminuir a exposição do país às oscilações dos mercados internacionais.

A proposta, apresentada pelo governo Meloni e pelo ministro do Meio Ambiente e da Segurança Energética, Gilberto Pichetto Fratin, já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados em 4 de junho. Com o aval do Senado, o projeto encerrou sua tramitação parlamentar.

A nova lei não significa que a Itália começará imediatamente a construir centrais nucleares. Ela estabelece o marco para a volta do setor e delega ao governo a elaboração das normas que vão definir como poderão funcionar as futuras instalações.

Entre os pontos que ainda precisarão ser regulamentados estão as autorizações para construção e funcionamento das usinas, a gestão dos resíduos radioativos e do combustível utilizado, as regras de segurança e a criação dos órgãos responsáveis pela fiscalização do setor. A legislação também prevê o uso da energia nuclear para a produção de hidrogênio.

Pichetto Fratin afirmou que o governo pretende concluir os decretos necessários para colocar a legislação em prática até o fim deste ano. Segundo o ministro, as primeiras novas centrais poderiam começar a funcionar entre 2033 e 2034, caso o cronograma avance conforme o planejado.

Governo aposta em reatores menores

A estratégia italiana não prevê simplesmente reconstruir o modelo das grandes usinas nucleares que funcionavam no país no século passado. O governo aposta principalmente nos chamados pequenos reatores modulares, conhecidos pela sigla SMR (Small Modular Reactors).

Esses equipamentos são projetados para ter potência e dimensões menores do que as centrais nucleares tradicionais e para permitir que parte de sua estrutura seja produzida em fábrica e posteriormente instalada no local de operação. A tecnologia ainda está em processo de expansão comercial em diferentes países, e o governo italiano espera utilizá-la a partir da próxima década.

Meloni classificou a aprovação como uma “escolha corajosa e de bom senso”. Segundo a primeira-ministra, a Itália atualmente importa eletricidade produzida em usinas nucleares de países vizinhos sem poder gerar essa energia dentro do próprio território.

Ela afirmou que a retomada poderá proporcionar maior segurança energética a famílias e empresas, reduzir a dependência externa e fornecer uma fonte estável de eletricidade com baixas emissões. Meloni também citou o aumento esperado no consumo provocado por data centers e pela expansão da inteligência artificial.

Itália abandonou energia nuclear após referendo de 1987

A Itália começou a abandonar a geração nuclear depois de um referendo realizado em novembro de 1987, pouco mais de um ano após o acidente de Chernobyl, na então União Soviética. O resultado abriu caminho para o fechamento gradual das centrais existentes.

A última usina nuclear italiana deixou de produzir eletricidade em 1990. Desde então, o país permaneceu sem geração nuclear própria, embora continue importando eletricidade de nações europeias que utilizam essa fonte.

Uma tentativa anterior de retomar o setor foi interrompida em 2011. Depois do acidente na central japonesa de Fukushima, os italianos rejeitaram em outro referendo os planos que poderiam permitir a construção de novas usinas.

O governo Meloni retomou o projeto nos últimos anos sob o argumento de que novas tecnologias permitem uma abordagem diferente daquela usada pelas antigas centrais.

Oposição critica prazo e tecnologia

A aprovação teve apoio dos partidos que compõem a coalizão de Meloni e também do partido de oposição Azione, de Carlo Calenda. O Partido Democrático, o Movimento 5 Estrelas e a Aliança Verdes e Esquerda votaram contra, enquanto o Italia Viva se absteve.

Parte da oposição questiona principalmente o prazo necessário para que as futuras centrais comecem a gerar eletricidade e argumenta que os pequenos reatores modulares ainda não estão disponíveis comercialmente em grande escala.

O deputado Angelo Bonelli, da Aliança Verdes e Esquerda, afirmou que a aposta nos SMRs não oferece resposta imediata aos elevados custos de energia enfrentados pelo país. Organizações como Greenpeace Itália, Legambiente e WWF Itália também criticaram a decisão e defenderam maior investimento em fontes renováveis.

O governo, por sua vez, sustenta que a energia nuclear deverá integrar o sistema italiano ao lado das fontes renováveis, e não substituí-las. Pichetto Fratin afirmou que a combinação das duas tecnologias é parte da estratégia para aumentar a autonomia energética e a competitividade do país.

VEJA TAMBÉM:

A “descoberta” britânica: sistemas de baterias podem sobrecarregar a rede elétrica

EUA firmam acordo com Arábia Saudita que permite desenvolvimento de programa nuclear

O que está por trás do acordo nuclear entre os EUA e o Paraguai

Deixe sua opinião

Encontrou algo errado na matéria?

Comunique erros

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Falhas de Moraes permitem a Fachin arquivar acusações contra Mendonça no STF

Na ONU, Lula faz campanha e exibe sua geopolítica de botequim

PT recorre a ação ligada ao setor de mineração para pedir que Dino investigue Flávio

“Ligações perigosas” de Lula agora incluem ex-advogado de Vorcaro

Tudo sobre:

Itália

Receba nossas notícias NO CELULAR

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Fonte: Gazeta Mundo

DestaquesNo ZUG!

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Newest
Oldest Most Voted
Ipatinga
nuvens dispersas
28 ° C
28 °
28 °
57%
2.1m/s
40%
qui
28 °
sex
25 °
sáb
33 °
dom
30 °
seg
31 °