EconomiaO sexto princípio: crescer junto é mais eficiente. E custa menos

O sexto princípio: crescer junto é mais eficiente. E custa menos

Por Rosane Richetti, especial para a Gazeta do Povo

Por Rosane Richetti, especial para a Gazeta do Povo

21/09/2026 às 14:45

21/09/2026 às 14:45

Dê de presente

Prefira a Gazeta no Google

Ouça este conteúdo

Quem está ligado a uma cooperativa não precisa construir uma fábrica “do zero” para entrar em novo negócio. Pode aproveitar uma indústria que outra cooperativa já construiu e explorar as sinergias entre as operações, em uma lógica semelhante à das joint ventures empresariais. No cooperativismo, essa estratégia é chamada de intercooperação (o 6º dos 7 princípios do setor) e vem sendo cada vez mais usada para evitar a duplicação de investimentos e obter ganhos de escala com a otimização de estruturas existentes.

Um exemplo recente está na parceria entre a Coagro, de Capanema, e a Coopavel, de Cascavel, no Paraná. A Coopavel passa a fornecer fertilizantes e bioinsumos que serão vendidos aos cerca de 6,4 mil cooperados da Coagro com a marca da própria cooperativa. Para uma, aumenta a escala de uma estrutura industrial existente; para a outra, amplia o portfólio sem repetir investimentos.

Próximo ao Parque Nacional do Iguaçu, Capanema tem condições favoráveis ao cultivo do milho safrinha. A menor ocorrência de geadas permite estender o período de plantio do grão, que exige mais fertilizantes do que a soja, especialmente nitrogênio e potássio. “O produtor precisa de um produto de qualidade, que responda na hora que a planta vai germinar e crescer, na hora que vai frutificar, na hora que vai encher o grão. E de menor preço também, porque, quando o preço é muito alto, ele acaba colocando menos fertilizante, o que não é bom”, relata o presidente da Coagro, Sebaldo Waclawovsky.

Lógica da intercooperação é somar sinergias e diminuir custos

A Coopavel produz fertilizantes e bioinsumos e tem uma estrutura industrial que atende também outras cooperativas da região. A matéria-prima dos fertilizantes chega via ferrovia, a partir do Porto de Paranaguá, o que ajuda a reduzir os custos em relação a produtos vindos de outras regiões. “Isso vai ser excelente para os produtores da região, pois a Coopavel produz bioinsumos que estão modernizando e melhorando a produtividade. E, com a marca própria, se mantém a identidade com o nosso cooperado”, afirma Sebaldo.

Na avaliação do presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, quando uma cooperativa utiliza uma estrutura que outra já construiu, as duas ganham, com economia de investimentos, aumento de escala e mais força para disputar espaço no mercado. “Isso é bom para o cooperativismo porque nós economizamos em investimento do sistema”, diz.

A parceria entre Coagro e Coopavel segue uma lógica presente em alguns dos principais projetos de intercooperação do país. Entre eles estão a Aurora Alimentos, de Santa Catarina, que reúne 14 cooperativas, e a CCGL, no Rio Grande do Sul, com 30 filiadas e negócios que vão da industrialização de lácteos a terminais de exportação de grãos e importação de fertilizantes. No Paraná, a Frimesa reúne cinco cooperativas (Copagril, Lar, Copacol, C.Vale e Primato) para industrializar e comercializar suínos e leite, enquanto a Cotriguaçu reúne cooperativas em estruturas compartilhadas, como o terminal portuário de Paranaguá.

Não é ajuda, é eficiência

Nos Campos Gerais (PR), Frísia, Castrolanda e Capal criaram a Unium, marca de negócios conjuntos nos segmentos de lácteos, suínos e trigo. São modelos diferentes, mas baseados no mesmo princípio de unir recursos, estruturas e competências para ampliar a capacidade das cooperativas de atuar no mercado.

Embora faça parte dos princípios que regem o cooperativismo, a intercooperação não é simplesmente uma cooperativa ajudando outra. Conforme o especialista em gestão estratégica de cooperativas, economista Ayslan Guenter, o ponto em comum está em unir estruturas, conhecimentos ou competências para tornar as operações mais eficientes.

“É a eficiência que lá na ponta vai resultar em melhores preços, melhor serviço e condição para os cooperados”, detalha. Como explica Grolli, porém, a intercooperação só acontece “quando as bases têm interesse”.

"As cooperativas servem de forma mais eficaz aos seus membros e dão mais força ao movimento cooperativo, trabalhando em conjunto com suas coirmãs, por intermédio das estruturas cooperativistas locais, regionais, estaduais, nacionais e internacionais." ​​​​​​6º princípio do cooperativismo 

"As cooperativas servem de forma mais eficaz aos seus membros e dão mais força ao movimento cooperativo, trabalhando em conjunto com suas coirmãs, por intermédio das estruturas cooperativistas locais, regionais, estaduais, nacionais e internacionais." ​​​​​​

No caso da Coagro e da Coopavel, o fertilizante é apenas uma das possibilidades. A indústria de farinha de trigo da Coopavel abre espaço para a Coagro fornecer trigo. A Coagro também pode fornecer soja para a indústria de óleo da Coopavel e comprar farelo de soja para a fábrica de rações. “As oportunidades são robustas”, afirma Sebaldo.

Crescer sem repetir investimentos

Dados da Ocepar mostram o tamanho desse sistema no Paraná. O Estado tem 82 cooperativas agropecuárias, reunindo 239,5 mil cooperados. Em seus armazéns e agroindústrias, elas recebem o equivalente a 66% da produção de grãos e 45% da produção de proteína animal do Estado. Desse volume, 48% são industrializados nas 157 agroindústrias em operação.

É nesse cenário que a estrutura de uma cooperativa pode servir a outras. Presente em 21 municípios do Oeste e Sudoeste, a Coopavel tem 18 agroindústrias. Parte dessa estrutura é utilizada também por outras cooperativas, como Lar, Copagril e Coagru, que podem comercializar produtos fabricados pela Coopavel com suas próprias marcas, sem precisar construir uma indústria para cada linha.

Para Grolli, esse efeito ajuda a explicar a força do cooperativismo no agronegócio. A agregação de valor não beneficia apenas a organização que realiza a transformação. Quando a produção cresce e os produtos ganham valor, os efeitos se espalham pela economia, movimentando comércio, indústria e serviços.

“Então, quando a gente vê a intercooperação entre cooperativas, nós temos aí um fortalecimento no agronegócio, um fortalecimento da economia de modo geral”, conclui Grolli.

VEJA TAMBÉM:

Mais do que solidariedade, inteligência econômica: como as cooperativas estão driblando a crise

Como brasileiros criaram em apenas 15 anos a tilápia mais tecnológica do mundo

Vender as terras por quê? Como o cooperativismo tem tirado o apelo do êxodo rural

Deixe sua opinião

Encontrou algo errado na matéria?

Comunique erros

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Políticos, empresários e nomes próximos a Lulinha: quem frequentava a mansão de Roberta Luchsinger

Moraes se torna relator de ação que envolve sua esposa, Vorcaro e Lulinha

Gazeta do Povo mapeia mais de 100 candidatos ao Senado pró-impeachment de ministros do STF

Por que mensagens escritas por Moraes a Vorcaro podem não ser recuperáveis

Tudo sobre:

Comércio

Cooperativas

Exportação

Importação

Receba nossas notícias NO CELULAR

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Fonte: Gazeta Economia

DestaquesNo ZUG!

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Newest
Oldest Most Voted
Ipatinga
nublado
22 ° C
22 °
22 °
83%
2.1m/s
100%
qui
32 °
sex
26 °
sáb
32 °
dom
28 °
seg
24 °