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América Latina
Guerra EUA x Irã
Por Fábio Galão
Por Fábio Galão
17/09/2026 às 11:11
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O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigiu durante as negociações de 2025 sobre o tarifaço que o Brasil tivesse uma eleição presidencial “livre” em 2026, com a participação de “dissidentes políticos”.
A exigência consta de uma minuta de outubro do ano passado, relativa às negociações decorrentes de uma tarifa de 50% que os Estados Unidos haviam aplicado meses antes sobre importações de produtos brasileiros. O Estado de S.Paulo teve acesso ao documento.
Entre as justificativas para o tarifaço do ano passado, o governo Trump havia citado o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) por acusações de tentativa de golpe de Estado em 2022 – o ex-mandatário acabou condenado a 27 anos de prisão – e decisões do STF que removeram perfis e posts de redes sociais americanas.
“O Brasil se comprometerá a realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026 e não deterá, prenderá nem limitará arbitrariamente, de qualquer outra forma, a participação de dissidentes políticos no processo eleitoral”, afirma a minuta.
O documento traz outras 20 demandas, entre elas, que o Brasil não aplique “multas com alcance extraterritorial, não determinará o congelamento de ativos, nem deterá, prenderá ou punirá de qualquer outra forma cidadãos dos EUA, residentes legais ou empresas americanas por condutas protegidas pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA”, que protege a liberdade de expressão.
Segundo o Estadão, integrantes da diplomacia brasileira afirmaram que a proposta foi recebida e analisada pelo chanceler Mauro Vieira e sua equipe, em uma reunião na manhã de 16 de outubro de 2025, na residência oficial da embaixada brasileira em Washington, antes de uma rodada de negociações com o secretário de Estado americano, Marco Rubio.
De acordo com uma das fontes, durante a discussão na embaixada brasileira, Vieira determinou que sua equipe avisasse aos americanos que o documento era “inaceitável” e pediu que não fosse apresentado para discussão nas reuniões daquele dia, solicitação que teria sido atendida. O chanceler disse que a minuta “não era base para nada”.
Não está claro se a exigência voltou a ser apresentada nas negociações do tarifaço de 2025 ou nas conversas sobre as sobretaxas impostas ao Brasil este ano.
A Gazeta do Povo solicitou ao Departamento de Estado americano e ao Itamaraty posicionamentos sobre o assunto, mas ainda não obteve resposta. Esta reportagem será atualizada caso haja retorno.
A tarifa de 50% foi posteriormente derrubada, devido à inflação dos alimentos nos EUA e a uma decisão de fevereiro da Suprema Corte americana que apontou irregularidades no tarifaço global que Trump impôs em 2025.
Porém, em julho, o Brasil foi alvo de uma nova tarifa de 25% que os Estados Unidos aplicaram a produtos do país sob a alegação de práticas comerciais injustas e de outra sobretaxa de 12,5%, alegando falta de medidas suficientes para coibir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Entre os produtos isentos destas tarifas, estão terras raras, café e aeronaves civis.
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Fonte: Gazeta Mundo


