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Alexandre Garcia
Por Hermano Freitas
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03/09/2026 às 18:03
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O empresário e ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, relatou ter sofrido intimidações e torturas — físicas e psicológicas — sob custódia da Polícia Federal (PF), em depoimento prestado ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. As declarações foram feitas a um assistente magistrado, que é relator de seu processo no STF, sem a presença de agentes da PF a seu próprio pedido.
Na versão de Vorcaro, uma das abordagens ocorreu dentro de um helicóptero da PF, durante o trajeto de São Paulo para Brasília, onde ele teria sido vendado com óculos semelhantes aos "utilizados por Maduro" (o ditador venezuelano Nicolás Maduro, quando transportado por forças militares americanas aos EUA).
"A todo momento, eu ouvia frases como: 'Está vendo? Foi fazer merda, agora vê se faz alguma coisa e fica quieto' […]. Aí o outro comentava: 'De repente, é mais fácil jogar ele daqui'", relatou. Vorcaro afirmou ter interpretado a fala como uma ameaça de arremessá-lo da aeronave para simular um suicídio.
O depoimento sigiloso foi divulgado pelo portal Metrópoles e teve o teor confirmado pela Gazeta do Povo. Ele foi prestado na última quinta-feira (27) a um juiz auxiliar do ministro Mendonça.
Sem comida
O empresário relatou ainda ter sofrido maus-tratos na prisão. Segundo ele, teria permanecido em uma cela provisória sem água nem comida, além de ter ficado sem acesso aos seus advogados por diversos dias em Brasília.
Entre os nomes mencionados pelo ex-controlador do Banco Master está o do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, com quem disse ter mantido uma relação cordial e encontros em eventos. Vorcaro apontou também ter sido pressionado a não citar pessoas ligadas ao governo que teriam dado sustentação ao esquema do Master. Não há registros formais desses nomes no processo.
Voos da morte
A prática de atirar prisioneiros foi muito utilizada por militares do Chile, durante a ditadura entre os anos 1971 e 1991, os chamados “voos da morte” para eliminar dissidentes do regime do general Augusto Pinochet.
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Fonte: Gazeta Política


