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América Latina
Guerra EUA x Irã
Por Fábio Galão
Por Fábio Galão
03/09/2026 às 11:37
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O presidente argentino, Javier Milei, protagoniza uma disputa pública com a União Industrial Argentina (UIA), a principal entidade representativa do setor no país sul-americano.
Após críticas da entidade ao seu governo, Milei mandou apenas funcionários de segundo escalão para um evento da UIA em Los Polvorines, na província de Buenos Aires, em comemoração pelo Dia da Indústria, celebrado nesta quarta-feira (2).
O presidente libertário já fez declarações ácidas no passado, acusando a indústria argentina de buscar privilégios e “caçar no zoológico” – ou seja, demandar medidas protecionistas para evitar a concorrência de produtos internacionais.
A tensão aumentou nos últimos dias, com a UIA afirmando que a indústria está ficando para trás no crescimento econômico promovido pelas reformas de Milei, que, segundo a entidade, estariam gerando resultados positivos apenas para os setores do agronegócio, de minerais e petróleo.
Em entrevista à emissora TN, o vice-presidente da UIA, Guillermo Moretti, afirmou que “essa gente não conhece o país, não sabe o que é uma fábrica”, em referência ao governo Milei.
Em alfinetada no ministro da Economia, Luis Caputo, que não citou explicitamente, Moretti disse que “estamos sendo governados por um especulador da dívida, um operador financeiro que não sabe o que é um torno mecânico”.
Em agosto, Caputo havia entrado em atrito com as indústrias, ao fazer uma declaração sobre “tarados” que contestam as reformas na Argentina. Ele negou posteriormente que o setor industrial teria sido o alvo do insulto.
“Nunca chamei os industriais de tarados; eu me referia àqueles que defendem o modelo anterior — um modelo que não fez nada além de aumentar o déficit e, com ele, a inflação e a pobreza”, disse o ministro.
No evento de quarta-feira, o presidente da UIA, Martín Rappallini, disse que o setor está “arcando com o peso da estabilização” econômica. “A economia não pode ser medida apenas pela evolução da inflação; devemos olhar para a atividade econômica”, afirmou.
Porém, na quarta-feira, em discurso no fórum liberal latino-americano “Ventos da Mudança”, realizado em Buenos Aires, Milei descartou por ora ajustes na sua política econômica.
“O resultado fiscal não é negociável e também não vamos negociar a política monetária porque não vamos parar até terminar de derrotar a inflação”, afirmou.
Nesta quinta-feira (3), em entrevista à Rádio Rivadavia, Rappallini pediu “um pacto fiscal industrial federal para reduzir impostos e permitir que o maior número possível de empresas consiga lidar com os níveis atuais de competitividade”.
“Não podemos enfrentar a concorrência carregando uma mochila pesada de impostos e regulamentações”, disse o presidente da UIA.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec), o índice de produção industrial no país teve uma queda de 2,2% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025.
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Fonte: Gazeta Mundo


