São Paulo
Paraná
Santa Catarina
Por Ana Paula Pickler
Por Ana Paula Pickler
Especial para a Gazeta do Povo
Especial para a Gazeta do Povo
03/09/2026 às 09:55
03/09/2026 às 09:55
Dê de presente
Prefira a Gazeta no Google
Ouça este conteúdo
Porto Seguro, no sul da Bahia, adotou uma estratégia emergencial para tentar conter a expansão do peixe-leão, espécie invasora que chegou recentemente à costa do município. Pescadores recebem R$ 10 por exemplar capturado e entregue à Colônia de Pescadores Z-22. A iniciativa já resultou na retirada de 442 peixes-leão, segundo balanço divulgado no início de setembro.
A medida faz parte de uma resposta mais ampla articulada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Causa Animal (SEMAC), em conjunto com pescadores, pesquisadores e outros órgãos públicos. O município também elaborou um plano específico para lidar com a presença do animal, publicado no Diário Oficial em 13 de agosto de 2026.
O Plano Municipal de Ação para o Enfrentamento ao Peixe-Leão estabelece medidas de monitoramento, capacitação, comunicação de ocorrências, pesquisa científica e prevenção de acidentes. O documento considera o peixe-leão uma ameaça à biodiversidade dos ambientes recifais, à atividade pesqueira e à segurança de pescadores, mergulhadores e outros usuários do mar.
A primeira ocorrência oficial da espécie em Porto Seguro foi registrada em 12 de junho, no Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora. Antes disso, o município já havia realizado ações de sensibilização com pescadores, mergulhadores e usuários do ambiente marinho, diante da expansão do peixe-leão pela costa brasileira.
O avanço da espécie preocupa porque o peixe-leão é originário do Indo-Pacífico e apresenta características que favorecem sua rápida disseminação.
É um predador generalista, possui alta capacidade reprodutiva e não encontra predadores naturais eficientes nas águas brasileiras. Além do impacto sobre peixes e outros organismos, seus espinhos venenosos representam risco para quem entra em contato com o animal.
VEJA TAMBÉM:
Cientistas de SC cruzam o Atlântico para explorar área desconhecida do fundo do mar
A rã invasora que "muge" e virou preocupação
Petrobras e Marinha ampliam parceria para proteger recursos do mar
Captura do peixe-leão na Bahia é estratégia temporária
O pagamento aos pescadores foi estruturado como uma medida temporária para aumentar a retirada dos animais encontrados na região costeira. O próprio plano municipal prevê a possibilidade de uma entrega bonificada para pescadores e outras pessoas treinadas e autorizadas, com o objetivo de ampliar o esforço de captura e, ao mesmo tempo, gerar informações sobre a distribuição e a abundância da espécie.
A estratégia, porém, não é apresentada como uma solução definitiva. Em reunião interinstitucional realizada em julho, pesquisadores destacaram que medidas isoladas, como o pagamento por exemplar capturado, não são suficientes para controlar permanentemente a invasão.
A redução da população depende de:
captura contínua;
monitoramento;
participação de pescadores, mergulhadores e outros usuários do mar.
O plano também determina que os animais capturados não sejam devolvidos vivos à água. Inicialmente, os exemplares devem ser destinados preferencialmente ao Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha (LECOMAR), da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), para pesquisas sobre distribuição, estrutura populacional, biologia, alimentação e reprodução.
A mobilização ocorre em um contexto maior de expansão do peixe-leão na Bahia. O primeiro registro no estado ocorreu em fevereiro de 2025, em Morro de São Paulo.
Desde então, a espécie também foi identificada em outros pontos do litoral baiano. Em Porto Seguro, a confirmação no Recife de Fora colocou a cidade entre as áreas que passaram a exigir uma resposta específica para evitar que a população se estabeleça e se espalhe.
Peixe-leão na Bahia exige resposta coordenada
Uma das preocupações apontadas no plano é a necessidade de integrar diferentes instituições. As informações sobre ocorrências devem ser compartilhadas com órgãos como Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Ibama e ICMBio, além de municípios vizinhos.
A estratégia também prevê um canal oficial para comunicação de ocorrências. Pescadores, mergulhadores, operadores de turismo e outros usuários poderão informar a presença do animal, com dados como localização, profundidade, quantidade de exemplares e fotografias.
A intenção é formar uma base de dados georreferenciada que ajude a identificar áreas de concentração e acompanhar a evolução da invasão.
O monitoramento é especialmente importante porque os primeiros registros na região podem estar relacionados a áreas mais profundas. Durante uma reunião realizada em abril, pesquisadores relataram que estudos indicam ocorrência inicial do peixe-leão frequentemente abaixo dos 30 metros de profundidade.
Na ocasião, também foi discutida a dificuldade de alcançar pescadores que trabalham nessas regiões e a necessidade de ampliar a educação ambiental antes da capacitação para captura.
O plano estabelece ainda a criação de protocolos para atendimento de acidentes envolvendo os espinhos venenosos. A previsão é estruturar um protocolo municipal específico em até 90 dias, além de capacitar equipes e orientar profissionais que atuam diretamente com o turismo e o ambiente marinho.
O consumo do peixe-leão ainda será estudado
Apesar de o peixe-leão ser considerado uma espécie invasora e de o aproveitamento econômico aparecer entre as possibilidades discutidas pelo município, o consumo ainda não é uma medida liberada automaticamente pelo plano.
O documento prevê que, depois do diagnóstico inicial, sejam avaliadas as condições técnicas, sanitárias, ambientais e econômicas para um eventual aproveitamento da espécie. Entre as possibilidades futuras estão o processamento, a comercialização e a inclusão do peixe-leão em uma cadeia produtiva local.
A ideia é que uma eventual exploração comercial seja analisada como complemento às ações de controle, e não como substituição do monitoramento ambiental. O próprio plano estabelece que a estratégia deverá ser adaptada conforme a evolução da invasão e os resultados das pesquisas.
A resposta de Porto Seguro, portanto, combina uma ação imediata de retirada dos animais com uma estrutura de acompanhamento de médio e longo prazo. O plano tem validade por prazo indeterminado e prevê avaliações periódicas, com revisão geral a cada dois anos ou antes disso, caso mudanças na presença da espécie ou novos conhecimentos científicos exijam alterações nas medidas.
Nesse cenário, o caso de Porto Seguro se torna mais um capítulo da expansão do peixe-leão na Bahia, espécie que já exige atenção de municípios, pesquisadores, pescadores e órgãos ambientais em diferentes pontos do litoral.
A retirada de centenas de exemplares pode reduzir a presença local do animal, mas o próprio planejamento municipal reconhece que o controle dependerá de acompanhamento permanente e de uma resposta coordenada.
Deixe sua opinião
Encontrou algo errado na matéria?
Comunique erros
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Principais Manchetes
Lei dá à Mesa do Senado, e não a Alcolumbre, poder sobre pedido de impeachment
Polícia Federal contradiz versão oficial de Moraes
Gonet não tem moral para pedir nulidade de relatório que compromete Moraes
Ministros do STF articulam saída de Moraes da crise e Vorcaro implica Andrei
Tudo sobre:
Bahia
Meio Ambiente
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
Fonte: Gazeta Brasil


