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Por Camila Abrão
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25/08/2026 às 00:11
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Atualizado em25/08/2026 às 00:15
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A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, repudiou, nesta segunda-feira (24), as declarações do candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, durante o primeiro debate presidencial, promovido pela TV Band em parceria com o Estadão. Renan mencionou Janja duas vezes ao criticar a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no evento.
“O Lula, coitado, tem que ficar lá com aquela Janja. Era mais certo ter vindo no debate, teria companhias melhores”, disse o candidato. “Lula até desistiu de apresentar proposta. Ele não está nem com saco, porque a maior parte do tempo ou ele está bêbado ou com a Janja, melhor ficar bêbado nessas horas, né, presidente?”, acrescentou.
Em nota, a primeira-dama disse que Renan a atacou de “forma pessoal e depreciativa” e que as declarações não configuram uma crítica política, mas, sim, “uma maneira de deslegitimar e ridicularizar a figura da mulher”.
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“Insinuar que a companhia da esposa de outro presidenciável seria motivo de 'pena' está longe de ser uma crítica política. É mais uma maneira de deslegitimar e ridicularizar a figura da mulher, como ferramenta misógina para atacar um adversário político”, afirmou Janja.
Ela ressaltou que “não é candidata, não estava presente para se defender e não tinha qualquer relação com o tema em discussão”. A primeira-dama citou que “episódios como esse não são um caso isolado” na trajetória do candidato do Missão.
“Renan Santos já esteve envolvido em declarações de violência contra as mulheres e incitou dezenas de homens a cometerem um estupro coletivo. É possível visualizar um padrão de falas que normalizam o desrespeito às mulheres”, destacou.
Janja enfatizou que o debate político deveria ser um espaço para debater propostas. “Não é lugar para expor, debochar ou intimidar uma mulher, principalmente uma que nem candidata é”, disse.
Renan Santos diz que Janja cita "misoginia" para evitar críticas
Após a manifestação da primeira-dama, Renan Santos afirmou que, em uma democracia, “não deve ser errado apontar que pessoas assim são ruins, sejam elas homens ou mulheres”. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, ele disse que Janja usou a “mesma estratégia” quando foi criticada por cumprir agenda no exterior.
“Janja não quer que você tenha direito sequer de criticá-la. A mesma estratégia que ela usou contra mim nessa nota, ela utilizou contra todos os brasileiros e brasileiras que criticaram o fato de ela torrar o nosso dinheiro em viagens internacionais. Ela disse que isso tudo é misoginia”, pontuou.
Ele também acusou a primeira-dama de agir como uma “espécie de rainha louca” e “deslumbrada”. Renan disse que, se Janja “se sentiu tão ofendida”, deveria enviar Lula para o próximo debate presidencial. “Assim, ele vai poder defender a honra dele e vai poder explicar para mim porque você é uma boa companhia”, desafiou.
Lula e os candidatos do PL, Flávio Bolsonaro, e do Novo, Romeu Zema, não participaram do debate da TV Band.
Leia a íntegra da nota de Janja
“Diante do episódio ocorrido no debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes na noite deste domingo (23/08), manifesto repúdio às falas do candidato Renan Santos (Missão). Situações como essa não podem ser normalizadas.
O candidato atacou, de forma pessoal e depreciativa, uma mulher que não é candidata, não estava presente para se defender e não tinha qualquer relação com o tema em discussão. Insinuar que a companhia da esposa de outro presidenciável seria motivo de “pena” está longe de ser uma crítica política.
É mais uma maneira de deslegitimar e ridicularizar a figura da mulher, como ferramenta misógina para atacar um adversário político. Episódios como esse não são um caso isolado.
Renan Santos já esteve envolvido em declarações de violência contra as mulheres e incitou dezenas de homens a cometerem um estupro coletivo. É possível visualizar um padrão de falas que normalizam o desrespeito às mulheres.
Nós, mulheres, sabemos o quanto precisamos lutar para sermos ouvidas sem sermos interrompidas, desqualificadas ou atacadas. Por isso, faz-se tão necessário repreender imediatamente atos como esses, que depreciam nossas existências.
Debate político é, ou deveria ser, um lugar para apresentar propostas, confrontar ideias e discutir projetos para o nosso país. Não é lugar para expor, debochar ou intimidar uma mulher, principalmente uma que nem candidata é.”
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Fonte: Gazeta Política


