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Por Luisa Purchio
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22/08/2026 às 16:33
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A Figueira das Lágrimas é considerada a árvore mais antiga da cidade de São Paulo. Localizada na Estrada das Lágrimas, via que guarda um dos trajetos mais percorridos do Brasil Império, a figueira assistiu aos mais diversos viajantes que saíam da capital paulista em direção ao Porto de Santos.
Um botânico consultado pelo professor Jorge Pimentel Cintra, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e professor do Museu do Ipiranga, avaliou que a árvore tem mais de 250 anos. Documentos históricos apontam que, em 1862, o exemplar já era considerado uma árvore adulta.
Atualmente, a Figueira das Lágrimas tem entre dez e 12 metros de altura — medida inferior à que costuma atingir em mata fechada, onde a Figueira-Brava (Ficus organensis), espécie nativa da Mata Atlântica, pode chegar a 30 metros.
Cintra reconstituiu o trajeto histórico que passava ao lado da árvore, cruzando mapas antigos da cidade, memorialistas paulistanos e visitas a campo. O levantamento resultou no artigo "O Ipiranga na Jornada da Independência", publicado pelo Museu Paulista.
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Pesquisa aponta passagem de Dom Pedro I pelo local
A Figueira das Lágrimas já era conhecida na tradição oral paulistana antes da pesquisa de Cintra. O que o levantamento acrescentou foi a confirmação de que Dom Pedro I passou pelo local, pois o trajeto era o único caminho disponível entre São Paulo e Santos na época.
Para reconstituir o percurso, Cintra recorreu a memorialistas como Paulo Cursino de Moura, autor da obra "São Paulo de Outrora", e a mapas produzidos no início do século XX, entre eles o mapa Sara, de 1930, elaborado pela Sociedade Anônima de Levantamento Topográfico.
O documento indica a localização da árvore próxima ao Sacomã, região que hoje concentra um terminal de ônibus e fica nas imediações do bairro do Ipiranga. Depois de cruzar as fontes, o pesquisador foi a campo confirmar a existência da árvore no ponto indicado pelos mapas.
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Figueira das Lágrimas: nome remete a despedidas
O nome da árvore remete às despedidas de famílias que acompanhavam viajantes até aquele ponto antes de eles seguirem sozinhos rumo ao Porto de Santos, local de partida para as viagens internacionais. O trecho entre São Paulo e Santos levava cerca de dois dias para ser percorrido, o que tornava inviável para a maioria acompanhar o trajeto completo.
"Toda despedida era uma despedida pungente. A pessoa ia embora e podia levar décadas para voltar, ou nunca mais voltar. A família chorava aos pés da figueira, por isso o nome Figueira das Lágrimas", conta Cintra.
A prefeitura de São Paulo também associa o nome à passagem de soldados que seguiam para a Guerra do Paraguai, travada entre 1864 e 1870. Em 2016, a Figueira das Lágrimas foi tombada pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) como patrimônio histórico da cidade.
Para garantir a preservação do local, a Subprefeitura Ipiranga criou, em 2020, a praça Figueira das Lágrimas, no endereço onde a árvore está localizada. O espaço recebeu bancos, refletores, pintura e intervenções de grafite, além de placas de bronze com poemas dedicados à árvore, reproduzidas especialmente para a nova praça, mas que logo foram furtadas.
O reconhecimento oficial da Figueira das Lágrimas também é registrado em uma placa de bronze, mantida sob os cuidados da Administração Regional por razões de preservação e segurança.
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Fonte: Gazeta Brasil


