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América Latina
Guerra EUA x Irã
Por Marcio Antonio Campos
Por Marcio Antonio Campos
22/08/2026 às 13:49
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Autoridades iranianas reagiram às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmando que enfrentarão o “Dia D econômico” e não reabrirão o Estreito de Ormuz, passagem vital para o comércio internacional de petróleo. “Já vimos este filme antes. A mesma história. Diferentes valentões”, escreveu na rede social X o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi. Segundo a agência EFE, Araghchi ainda disse que os EUA têm aplicado várias sanções ao Irã nos últimos anos, sem atingir seus objetivos. O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, também disse que “essas medidas não terão efeito na posição do Irã”.
Na quinta-feira, Trump prometeu a “mais devastadora operação econômica já adotada contra qualquer país” e uma “guerra econômica e isolamento em escala sem precedentes” contra o Irã. O presidente norte-americano ainda afirmou que haverá “tremendas consequências econômicas” para quem fornecer qualquer tipo de apoio ao regime dos aiatolás. Na sexta-feira, Bessent disse que os EUA irão “esmagar a economia desse regime assassino” e prometeu para a próxima segunda-feira o anúncio das medidas concretas para sufocar economicamente o Irã.
Boa parte do sucesso do novo pacote de sanções dependerá dos países que continuam negociando com o Irã. O principal caso é o da China, que compra cerca de 90% do petróleo iraniano a preços mais baixos. Os Emirados Árabes Unidos são outro parceiro econômico importante do Irã, e dias atrás anunciaram a suspensão de todas as suas relações comerciais e financeiras com Teerã. Segundo a EFE, antes da guerra, Abu Dhabi era a origem de cerca de 30% das importações iranianas, avaliadas em US$ 21 bilhões em 2024, de acordo com dados da Organização Mundial do Comércio.
Inflação e desemprego estão em alta, revoltando a população
Ainda que o regime iraniano não tenha caído mesmo após décadas de sanções econômicas norte-americanas, que afetam especialmente a venda de petróleo, a economia do país tem piorado: segundo a EFE, a inflação acumulada nos últimos 12 meses chegou a 87,9% em julho, com elevação de 128% entre alimentos e bebidas. O desemprego passou de 7,3% para 9,1% no último ano, de acordo com dados oficiais; no entanto, a conta não inclui estimados 2 milhões de empregos perdidos durante a guerra.
A população demonstra descontentamento. “Cada dia estamos mais pobres e custa até comprar os produtos básicos. Não sei até que ponto vamos conseguir suportar esta situação desastrosa. As famílias estão sofrendo muito”, disse à EFE Nahid, 64 anos, moradora de Teerã. Ela afirmou que os iranianos estão reduzindo o consumo de carne bovina, substituída pelo frango, mais barato. Fatima, 39 anos e também moradora de Teerã, disse que é impossível “alimentar meus filhos como deveria” e que a família está deixando de consumir frutas e carne. “No fim, somos sempre as pessoas comuns e os mais necessitados que pagamos o preço da guerra e dos conflitos”, reclamou.
Analistas ouvidos pela EFE afirmam que, apesar da crise e do descontentamento popular, é pouco provável que o Irã capitule à nova ofensiva econômica norte-americana. “Se o objetivo é provocar o colapso do Irã ou obrigar seus dirigentes a se renderem e a fazerem concessões estratégicas, é pouco provável que esta campanha alcance seu objetivo”, disse no X Danny Citrinowicz, pesquisador do programa iraniano do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel.
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Fonte: Gazeta Mundo


