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Por Guilherme Grandi
Por Guilherme Grandi
21/08/2026 às 08:56
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O comércio varejista eliminou 45,9 mil empregos com carteira assinada no primeiro semestre de 2026, no pior resultado para o período desde a pandemia, enquanto o mercado de trabalho brasileiro abriu 921 mil vagas. O desempenho contrasta com outros grandes setores, como serviços, construção e indústria, e expõe o impacto da perda de força do consumo, dos juros elevados e do avanço das bets sobre o orçamento das famílias.
De acordo com uma apuração da Folha de S.Paulo publicada nesta sexta-feira (21), o varejo enfrenta uma combinação de fatores que ajuda a explicar a retração mesmo com o desemprego em níveis historicamente baixos. Entre eles estão a economia menos aquecida, o crédito mais caro, o comprometimento da renda com apostas esportivas e a migração de consumidores para o comércio eletrônico.
Além do cenário econômico adverso, o varejo ainda terá de absorver os efeitos da crise da Casas Bahia, que pediu recuperação judicial e anunciou o fechamento de 298 lojas, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários.
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No primeiro semestre, o varejo abriu postos de trabalho somente em março, maio e junho. No mesmo período de 2025, o segmento havia criado 23,7 mil vagas, enquanto agora responde pela maior parte do resultado negativo do comércio.
O comércio como um todo foi o único entre os grandes setores a registrar fechamento de vagas no primeiro semestre, com saldo negativo de 3,5 mil postos. No período, os demais setores registraram:
Comércio: -3,5 mil vagas;
Serviços: +571,9 mil vagas;
Construção: +168,9 mil;
Indústria: +143,4 mil;
Agropecuária: +40,8 mil.
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O resultado do comércio só não foi pior porque o setor também reúne empresas de venda de automóveis e motocicletas e atacadistas. O primeiro grupo é beneficiado pela expansão dos aplicativos de entrega e transporte, enquanto o segundo sofre menos com o endividamento elevado das famílias.
O custo do crédito também aumentou e passou a pressionar ainda mais o consumo. A taxa média de juros para pessoas físicas com recursos livres chegou a 64% ao ano em junho, contra 59,4% um ano antes, enquanto os juros do cartão de crédito subiram de 92,1% para 97,4% no mesmo período.
As lojas de vestuário e acessórios concentraram a maior parte das demissões, com 30,9 mil vagas eliminadas nos seis primeiros meses do ano. O número representa mais de dois terços do saldo negativo do varejo e supera os cortes registrados em lojas de calçados, com 11,3 mil postos, e supermercados e hipermercados, que fecharam 5,6 mil vagas.
A concorrência do comércio eletrônico aparece como outro fator de pressão sobre os segmentos tradicionais. Com consumo mais fraco, crédito caro e parte da renda comprometida, a tendência indicada pelos dados é de um varejo ainda pressionado na segunda metade de 2026.
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Fonte: Gazeta Economia


