PolíticaDino defende limite ao sigilo da fonte e diz que STF é...

Dino defende limite ao sigilo da fonte e diz que STF é “fiel” à liberdade de imprensa

Receba notícias por e-mail

Eleições 2026

Alexandre Garcia

Por Camila Abrão

Por Camila Abrão

18/08/2026 às 16:56

18/08/2026 às 16:56

Atualizado em18/08/2026 às 18:03

Atualizado em

18/08/2026 às 18:03

Dê de presente

Prefira a Gazeta no Google

Ouça este conteúdo

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (18) que o sigilo da fonte não é absoluto quando há disseminação de desinformação. A declaração ocorre em meio às críticas enfrentadas pela Corte após a operação contra a fonte de um jornalista do Maranhão envolvendo matérias sobre o próprio Dino. 

“A Constituição diz: ‘É assegurado a todos o acesso à informação’… Não o acesso à desinformação, e resguardado o sigilo da fonte, exatamente em nome do direito à informação, ‘quando necessário ao exercício profissional’. Teoria funcional. Porque, senão, o médico teria liberdade para matar e alegaria sigilo médico”, destacou. 

A Primeira Turma analisava um recurso apresentado pela Rede Globo contra o direito de resposta concedido a uma clínica do Rio de Janeiro. O caso envolve uma reportagem publicada pela emissora em 2020 que afirmava que uma mulher teria sofrido abuso dentro da clínica.

VEJA TAMBÉM:

Governador do MA pede afastamento de Dino de ações no estado

Em primeira instância, o juízo considerou improcedente o pedido de direito de resposta, por considerar que não houve abuso no exercício da liberdade de imprensa. Por outro lado, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) determinou a publicação da resposta. A emissora acionou o Superior Tribunal de Justiça (STJ), que manteve a decisão do TJRJ.

Dino havia pedido vista do processo e, ao apresentar seu voto nesta terça, afirmou que o episódio chamou sua atenção por envolver um veículo de comunicação “sério e respeitável” que, neste caso, frustrou “uma garantia constitucional fundamental que é o direito de resposta”.

Para o ministro, o julgamento deve servir de orientação para empresas de comunicação sobre a necessidade de garantir efetividade ao direito de resposta. Ele também afirmou que “liberdade de imprensa plena só existe como direito de resposta sendo respeitado pelas empresas e profissionais da área”.

A ministra Cármen Lúcia pediu vista (mais tempo para análise) e interrompeu o julgamento. Até o momento, apenas Dino e o relator, ministro Alexandre de Moraes, votaram contra o recurso e para conceder o direito de respostaà clínica.

Dino diz que regra do STF sobre diploma em Jornalismo beneficia “qualquer blogueiro”

Durante o voto, o ministro relacionou a discussão sobre o direito de resposta à decisão do próprio STF que afastou a exigência de diploma de jornalismo para o exercício da profissão. Segundo Dino, essa mudança tornou mais difícil delimitar quem estaria submetido às garantias constitucionais relacionadas ao jornalismo profissional.

“A extensão automática desse regime de garantias a qualquer blogueiro pode levar que o PCC e o Comando Vermelho façam concurso para selecionar blogueiros. Teria cada uma [das facções] 100 blogueiros supostamente protegidos por este conjunto de garantias que se referiam em 1988 ao jornalismo profissional”, ironizou. 

Moraes também defendeu a possibilidade de revisão da regra do STF. “Se nós deixarmos que a imprensa seja contaminada por pessoas que não são da imprensa, não são jornalistas e não lutam pela informação, nós estaremos desgastando um dos grandes pilares da democracia”, disse Moraes. 

STF enfrentou “atos despóticos” em defesa da imprensa, diz Dino

Apesar das críticas a eventuais abusos cometidos por veículos e profissionais de comunicação, Dino afirmou que o STF tem histórico de defesa da liberdade de imprensa.

“O STF é um dos poucos órgãos do país que, nas trevas, na escuridão e na clareza da democracia, qualquer que seja o contexto, foi fiel à liberdade de imprensa. Fiel e enfrentou, inclusive, perseguições, coações e atos despóticos por ser guardião da liberdade de imprensa”, declarou.

Para o ministro, o direito de resposta é justamente um dos mecanismos destinados a evitar que eventuais erros jornalísticos produzam efeitos permanentes. Dino afirmou que o recurso analisado pela Primeira Turma pode gerar uma “eternização” da notícia, o que, segundo ele, representa uma forma de “revitimização”.

Ao defender o cumprimento da decisão que assegurou o direito de resposta à clínica, o ministro afirmou ainda que a responsabilidade pela fragilização da garantia constitucional é de quem deixa de cumpri-la.

“Quando o destinatário da norma não age de modo adequado ao seu cumprimento, quem está a fragilizar a garantia não é quem a questiona, é quem deveria cumpri-la e não cumpriu”, enfatizou.

VEJA TAMBÉM:

O STF que defende a Constituição na teoria enquanto a viola na prática

Investigação que quebrou sigilo de fonte de jornalista do Maranhão tem 5 pontos irregulares

Moraes defende investigação contra jornalista e diz que sua turma no STF julgará recursos

Deixe sua opinião

Encontrou algo errado na matéria?

Comunique erros

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

O que explica a crise no varejo que levou Casas Bahia e Marabraz à recuperação judicial

Como Lulinha foi de monitor de zoológico a lobista milionário

Marçal entra em campo para zerar terceira via e ajudar Flávio Bolsonaro contra Lula

Flávio Bolsonaro recupera votos de evangélicos, no Sudeste e na direita

Tudo sobre:

Alexandre de Moraes

Comunicação

Democracia

desinformação

Flávio Dino

Jornalismo

Liberdade de imprensa

Maranhão

STF

Receba nossas notícias NO CELULAR

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Fonte: Gazeta Política

DestaquesNo ZUG!

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Newest
Oldest Most Voted
Ipatinga
nublado
23 ° C
23 °
23 °
94%
0.5m/s
100%
sáb
36 °
dom
29 °
seg
31 °
ter
34 °
qua
36 °