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Cautela com o Brasil cresce e estrangeiros retiram quase R$ 16 bilhões da Bolsa

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Por Vandré Kramer

Por Vandré Kramer

17/08/2026 às 11:21

17/08/2026 às 11:21

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Estrangeiros retiraram quase R$ 16 bilhões da Bolsa brasileira em agosto até a última quinta-feira (13), em um movimento que mostra o aumento da cautela dos investidores com o Brasil. Somente na última terça (11) estrangeiros retiraram R$ 4,7 bilhões — a maior retirada diária desde fevereiro de 2021.

Um dos fatores que contribuiu para o desempenho foi a decisão do banco americano JPMorgan em rebaixar sua recomendação para as ações brasileiras.

Os estrategistas do banco norte-americano rebaixaram a classificação das ações brasileiras no portfólio de papéis da América Latina, de overweight (acima da média, equivalente a uma recomendação de compra) para "neutra".

O relatório cita o fim do ciclo de afrouxamento monetário — o banco espera mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em setembro, seguido de uma longa pausa até o segundo trimestre de 2027 —, a desaceleração do crescimento econômico e a deterioração do ciclo de crédito.

No entanto, para analistas ouvidos pela Gazeta do Povo, a saída de recursos não está ligada a um único fator. O mercado também demonstra preocupação com a proximidade das eleições deste ano, as incertezas sobre a condução das contas públicas a partir do próximo governo, a desaceleração da economia e a redução na concessão de crédito.

Em paralelo, a manutenção de juros elevados no Brasil e nos Estados Unidos torna aplicações de renda fixa mais atraentes e reduz o apetite por ações de mercados emergentes, como o brasileiro.

Mercado aumenta cautela com a disputa eleitoral

Segundo Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, a preocupação aumenta com a proximidade das eleições e com a saída acelerada de capital estrangeiro. Ele avalia que, embora o movimento também possa ter componentes técnicos e de redução de posições, reforça a cautela com o Brasil.

Analistas também apontam que o mercado já começa a levar as eleições de 2026 em conta, mas ainda não aposta em nenhum candidato específico.

"O que aparece nos preços neste momento é um prêmio crescente de incerteza, especialmente sobre a condução fiscal e econômica a partir de 2027. A urna ainda não abriu, mas o risco eleitoral, sim", afirma Olívia Flôres de Brás, diretora-presidente da Magno Investimentos.

Balanços ruins e juros altos também pesam sobre a Bolsa

Além do cenário político e do risco fiscal, a bolsa brasileira sofre com a repercussão da temporada de balanços do segundo trimestre, que trouxe leituras mais cautelosas e pressionou as ações de empresas.

"Essa combinação de resultados corporativos amargos e fuga de recursos internacionais é agravada pela manutenção da Selic em 14% ao ano, patamar ainda elevado, que garante retornos atrativos na renda fixa, drena o capital doméstico da renda variável e encarece o financiamento das empresas listadas", avalia Rebeca Nossig, estrategista de ações da Nomad.

Tensão no Oriente Médio também afasta investidores

Além dos riscos específicos do Brasil, o cenário internacional também tornou os mercados emergentes menos atraentes aos olhos dos investidores.

A estagnação nas negociações de paz e a retomada de ataques no Estreito de Ormuz elevaram a tensão na região. A ameaça de retaliações econômicas e bloqueios navais por parte dos Estados Unidos contra o Irã fez os preços do barril de petróleo aumentarem novamente.

"Esse repique nos custos de energia reforça o temor de que a inflação global demore mais a cair, o que mantém os juros dos títulos americanos elevados e drena agressivamente o capital estrangeiro que poderia vir para mercados emergentes como o Brasil", observa Rebeca.

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Fonte: Gazeta Economia

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