Empreendedorismo e perseverança
Os empresários Leandro e Maurício Dias de Farias transformaram sucessivos fracassos em um negócio milionário de mobilidade corporativa. Após tentarem a vida nos Estados Unidos e enfrentarem o cancelamento de grandes contratos e crises políticas no Brasil, os irmãos consolidaram a Autonomoz. A plataforma de transporte já opera em 14 estados e projeta faturar R$ 15 milhões ainda este ano.
A trajetória empreendedora
A jornada começou em 2001, quando Leandro e Maurício trancaram a faculdade de Administração em Londrina para tentar a sorte na Flórida. Nos Estados Unidos, Leandro chegou a acumular funções de garçom, entregador e faxineiro em um restaurante, vivenciando uma cultura onde o esforço individual é altamente valorizado. No entanto, os atentados de 11 de setembro mudaram o cenário econômico americano, forçando-os a retornar ao Brasil.
Crises no mercado brasileiro
Os empresários recomeçaram do zero três vezes. O primeiro grande revés ocorreu em 2012, quando um contrato robusto de transporte para as usinas do Rio Madeira, em Rondônia, foi cancelado sem aviso. Em 2015, após vencerem uma licitação para a usina de Itaocara, viram o projeto ser paralisado devido à crise do impeachment e aos desdobramentos da Operação Lava Jato, o que reduziu a equipe de 300 para apenas 30 funcionários.
A Autonomoz
A Autonomoz surgiu em 2017 como uma solução tecnológica para um desafio logístico real. Ao fecharem 31 contratos com a Rumo Logística, os irmãos precisavam monitorar frotas em 67 cidades de seis estados diferentes. Como não podiam mais acompanhar tudo presencialmente, criaram um centro de controle operacional digital que funciona 24 horas. O que nasceu como uma ferramenta interna para a empresa de transportes deles, a Rhyno, ganhou independência e escalabilidade. Hoje, a plataforma conecta quase mil motoristas parceiros e oferece soluções de mobilidade para diversas empresas no Brasil.
Visão atual dos empresários
Apesar do sucesso, os irmãos mantêm uma postura de cautela devido à instabilidade econômica e política. Eles destacam que as altas taxas de juros no Brasil tornam o investimento em renda fixa mais atraente do que o empreendedorismo, que exige um propósito maior do que o lucro. Para Maurício, o país sofre com políticas populistas que prejudicam quem produz, fazendo com que o empresário seja muitas vezes criticado em vez de aplaudido.
Fonte: Gazeta Economia


