EconomiaIrmãos Empresários Criam Negócio de Mobilidade Milionário Após Três Recomeços

Irmãos Empresários Criam Negócio de Mobilidade Milionário Após Três Recomeços

Uma História de Empreendedorismo

Os irmãos Leandro e Maurício Dias de Farias, brasileiros que se mudaram para a Flórida em 2001, decidiram retornar ao Brasil após os atentados de 11 de setembro, que mudaram o ambiente econômico nos Estados Unidos. Com uma diferença crucial, Maurício afirma que, se tivessem permanecido no exterior, também estariam empreendendo, mas com uma cultura americana que valoriza o esforço e recompensa o empresário.

Desafios e Recomeços

De volta ao Brasil, os dois seguiram rumos distintos até se encontrarem novamente e darem início a uma série de empreendimentos em logística. O mais recente, a Autonomoz, é uma plataforma de mobilidade corporativa surgida em 2017, que atualmente conta com quase mil motoristas parceiros, operando em 14 estados. A expectativa é de encerrar o ano com faturamento de R$ 15 milhões, representando um crescimento de 18%.

“Empreender no Brasil é muito difícil. Três crises nos levaram a ter que reiniciar do zero. Mas a cada recomeço, voltamos maiores do que antes”, relata Leandro. “Com as taxas de juros que temos no país, seria mais fácil investir em renda fixa. Mas empreender não é apenas um trabalho, é um propósito. Hoje, mais de mil famílias dependem de nós”.

Da Flórida à Amazônia

Leandro e Maurício cresceram em Londrina (PR) e decidiram trancar o curso de Administração de Empresas para se mudar para os Estados Unidos. Na Flórida, alcançaram um crescimento substancial na qualidade de vida e no rendimento financeiro. Ao retornar ao Brasil, Leandro abriu uma agência de marketing digital em Curitiba (PR), enquanto Maurício se instalou em Cuiabá (MT), onde conquistou um contrato para prestar serviços de transporte escolar rural.

Desenvolvimento da Autonomoz

A partir de 2008, a empresa de Maurício assumiu um contrato de transporte de trabalhadores envolvidos com a construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau. Em 2012, o contrato foi cancelado sem aviso prévio, mas os irmãos ainda retomariam o contrato meses depois. Em 2015, venceram uma licitação para atender ao transporte de trabalhadores da obra da usina hidrelétrica Itaocara, mas a crise do impeachment de Dilma Rousseff e as investigações da Operação Lava-Jato fizeram com que o Brasil parasse em termos de obras de construção civil de grande porte.

Em 2016, os irmãos iniciaram uma negociação para prestar serviços de transporte de colaboradores para a Rumo Logística. Propuseram um projeto que ia além do que o edital previa e concorreram com as maiores empresas do Brasil em fretamento, acabando por conseguir 31 dos 32 contratos da companhia. A operação dos empresários ganhou escala e precisou atender a 67 cidades, em seis estados, o que os levou a investir em tecnologia de monitoramento e criar a Autonomoz como um centro de controle operacional.

Expansão e Diversificação

A Autonomoz passou a contar com a Rhyno, empresa de transportes dos irmãos, como base de suas operações, até que a solução ganhou vida própria e se tornou um empreendimento de alcance nacional. Os sócios mantêm olhos abertos a outros possíveis empreendimentos, desde que o cenário brasileiro viabilize suas apostas. “O Brasil é o país do futuro, mas o futuro nunca chegou. Temos que pagar pela farra de um governo populista e irresponsável. Neste momento, a palavra de ordem é cautela”, afirma Maurício.

Os irmãos consideram que diversificar atividades e mercados pode representar um caminho para ampliar a resiliência. “Vemos empresas nacionais de grande porte desanimadas com o Brasil e investindo em mercados no exterior. Também consideramos a possibilidade de explorar outros países”, diz o irmão mais velho.

Fonte: Gazeta Economia

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